
Por Francisco Tramujas
Claudio Fonseca é gerente de relação com investidores do grupo Brazil Fast Food Corp. (BFFC), empresa que controla hoje as redes de fast-foods Bob’s, Pizza Hut, além da parte brasileira da maior rede de lanchonetes à base de frango do mundo, a norte-americana KFC. Fonseca, que no portal ADVFN é conhecido como BovespaBrokers, conta a seguir em entrevista exclusiva à InvestMais como, aos 29 anos, já acumula muita experiência e conhecimento sobre a bolsa de valores.
Desde quando você está no mercado?
Desde 2004. Qual foi minha primeira ação? VAGV4 (Varig). Como o mercado oscilava, um dia ganhava e, no outro, perdia. Foi um mês inteiro de aprendizado e, a partir daí, entrei num caminho sem volta – da bolsa eu não saio mais, adoro a emoção!
Por que você decidiu investir na bolsa?
Quando o até então gerente da nossa empresa, Wellington Nascimento (o WN Silva nos fóruns do ADVFN), me incentivou a abrir uma conta investimento no banco para aplicar no mercado de ações, ele me dava as dicas e me mostrava todas as malícias da bolsa. Hoje, ele é um grande amigo e parceiro inseparável para todos os investimentos – entramos e saímos juntos de toda e qualquer ação.
Dos grandes eventos que presenciou ao longo do tempo, qual ou quais foram os que mais marcaram sua vida como investidor? Por quê?
A crise hipotecária americana em 2008/2009. Mesmo sendo a primeira grande crise que eu tenha presenciado como investidor, assistir a três circuits breaks em um único dia foi dose. Ver a Bovespa “desgrudar” dos 70.000 para 29.000 em tão pouco tempo é de matar qualquer investidor, havia dias em que eu me perguntava quando aquilo iria acabar. Lembro que, no dia em que a Bovespa interrompeu as operações pela terceira vez, eu entrei comprando ações da Gradiente. Eu era o único louco com ordem de compra! Carrego as ações até hoje, com 300% de lucro, e espero realizá-las em 2010, quando pretendo vender parte delas com um resultado invejável a qualquer investidor.
Algum fato já fez você sair da bolsa ou ter vontade de sair?
Nunca saí, mas lembro de uma vez em que alguns grandes investidores e corretoras iniciaram uma venda a descoberto de uma ação dias antes de um anúncio de aumento de capital, jogando o preço da ação no chão – isso me deixou perplexo.
Você é um investidor conservador, moderado ou arrojado?
Considero-me um investidor arrojado, porém meus amigos próximos me consideram ULTRA-ARROJADO! (risos). Operar small caps já é ser arrojado, operar uma ação considerada mico é necessário ser ultra-arrojado e estar muito bem informado.
Qual o porcentual de seus investimentos está em renda variável?
Hoje, 85% de todas as minhas aplicações estão na bolsa. Antes da crise, eu havia retirado boa parte de meus investimentos, estava, naquele momento, com apenas 30% investido na bolsa. Mas com a forte desvalorização das ações no mercado brasileiro, aproveitei a oportunidade para reinvestir o dinheiro e ganhar a médio prazo. Caso minhas aplicações não fossem de grande risco, certamente colocaria 100%, mas, como sempre tenho compromissos financeiros, prefiro ficar com dinheiro para não depender de resgatar nada por no mínimo seis meses.
Você investe sozinho e/ou por meio de clubes de investimentos?
Normalmente, quando me fazem essa pergunta, tento explicar da seguinte forma: opero eu e o WN Silva, o Wellington Nascimento, meu parceiro de investimentos, que é o contrapeso da balança na minha vida de investidor. Ele contribui com as análises fundamentalistas e a serenidade de alguém mais experiente que eu, que sou afobado, mas com um grande networking e trânsito livre em bancos, corretoras e jornais, o que facilita a capitalização de informações para traçar um cenário de oportunidades.
Como você escolhe as empresas nas quais vai investir?
Começamos a olhar a lista das empresas com o menor valor de mercado na Bovespa, buscamos estudar e entender sua situação financeira, o segmento, as dificuldades do setor e as que a empresa está enfrentando. Com isso, acompanhar as perspectivas e como e quando é possível a retomada da empresa. Daí, traçamos uma data para entrar e sair – normalmente compramos antes do boato e vendemos no fato. Mas, para isso, é preciso ter muita disciplina, foco e paciência.
Você tem alguma lista do que as empresas precisam ter ou não precisam ter para você investir nelas?
Tenho na minha carteira apenas BEEF3 (Minerva – produz carnes e derivados), IDNT3 (Ideias Net – empresa de programas e serviços) e IGBR (Gradiente – produtos eletrônicos). Não compro mais CBMA4 (Cobrasma – fabrica material ferroviário) e VAGV4 (Varig, ou melhor, Savirg – transporte aéreo).
Qual é o seu saldo nas operações de renda variável?
Muito positivo. Porcentualmente é um exagero, mas posso assegurar que é de deixar qualquer fundo arrojado no chinelo (risos). No entanto, para conseguir isso, compramos alguns papéis que estatuto de fundo algum permitiria. Arrisquei sempre 100% do meu capital, fiquei várias noites sem dormir preocupado e gastamos muito tempo em pesquisas para nos manter sempre informados.
Qual é a sua expectativa de retorno porcentual das ações?
Para as ações de primeira linha, resultado mensal acima de 6% (com entradas e saídas) já satisfaz; mas as ações de terceira linha, normalmente entramos para ganhar no mínimo 50%. Temos de compensar os riscos, lembrando que já tivemos algumas com mais de 1.000%, como: GAZO4 (Gazola – indústria metalúrgica), RCSL4 (Recrusul – material de transporte rodoviário) e HAGA4 (Haga – materiais de construção). Buscamos entrar com data para saída, mas, às vezes, o prazo se alonga e temos de estar preparados para o tempo necessário. É o caso da Gradiente, que entramos há mais de um ano e esperamos ansiosos para o anúncio do retorno da principal marca nacional de eletrônicos.
Qual é o segredo para se manter tranquilo em períodos de crise?
Rivotril – um tranquilizante (risos). Nas ações que normalmente entramos, não temos muito de fazer, e sim esperar o pior passar e aproveitar para comprar mais e mais barato. Evito utilizar stops, mas, quando entro nas blue chips e tenho de realizar a curto prazo por compromissos, geralmente coloco stops para limitar minhas perdas, isso é segurança.
Prefere as small caps ou as blue chips? Por quê?
Sempre small caps. Mas precisamente os “micos”, que normalmente apontam um retorno muito mais rápido que as blue chips. Os micos são mais arriscados, mas eu gosto de correr riscos.
Alguma mensagem para os investidores?
Gostaria de parabenizar a revista InvestMais pela ótima iniciativa e rápida conquista dos investidores e também a turma do ADVFN Brasil pela conduta e atuação participativa no dia a dia dos negócios. É incrível ver a quantidade de pessoas de peso e formadoras de opinião do mercado que frequentam o fórum do ADVFN.
Autor(a): Francisco Tramujas
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