
O presidente da Nyse Euronext, Duncan Niederauer fez ontem, dia 17/08, sua primeira visita ao Brasil, acompanhado do vice-presidente executivo da entidade, Scott Cutler e do diretor administrativo e chefe regional para América Latina, Alex Ibrahim.
Em coletiva de imprensa, os três executivos responderam a diversas perguntas sobre questões atuais, antes de seguirem com a conturbada agenda de eventos e relacionamento com representantes de companhias brasileiras com ADRs (American Depositary Receipts) na Nyse, além de reuniões com prospects canários, com potencial para encorpar esse número.
Perda de market share
A Nyse Euronext continua sendo o principal, mais líquido e diversificado grupo de bolsas de valores do mundo. Classes múltiplas de ativos e seis países estão englobados no portfólio da entidade, tais como a New York Stock Exchange, a Liffe, a Euronext e a Nyse Arca – representando mais de um terço do volume mundial de ações. Para se ter uma idéia, a capitalização total de mercado das empresas listadas girou em torno dos U$ 18,4 trilhões no final de junho de 2009. Isso significa um volume diário de aproximadamente U$ 83,6 bilhões, em negociações envolvendo mais de oito mil emissões de 55 países, abrangendo 70 das 100 maiores empresas do mundo listadas nesses mercados.
Entretanto, com todo o potencial, volume de transações e representatividade global, a companhia vem enfrentando uma perda sistemática de market share. Duncan Niederauer enxerga o fato com naturalidade, e aponta a maior pulverização do mercado nos EUA como o elemento responsável por essas oscilações. Afinal, somente nos Estados Unidos, existem mais de 30 entidades competindo entre si pela listagem de novas empresas. Ainda assim, ele adiantou algumas das medidas que estão sendo tomadas para retomar o espaço perdido: “Grandes investimentos em estrutura, capacidade e tecnologia, maior transparência com os investidores e uma mudança no modelo de mercado são algumas atitudes que estamos implementando”, disse.
Parcerias estratégicas
Antes da fusão entre a Bovespa e a BM&F, a Nyse possuía uma participação pequena, de 1%, na Bovespa, que já não existe mais. Isso não quer dizer que o interesse por uma parceria efetiva entre as partes tenha diminuído. Niedrauer revelou uma política rigorosa para escolha de parceiros ao redor do mundo. “Acreditamos muito no potencial econômico e colaborativo de países emergentes como o Brasil, a Índia, e a China”, afirmou.
Atualmente, 98 empresas dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) estão listadas na Nyse Euronext, com uma capitalização total de mercado global combinada de U$ 1,7 trilhão.
Segundo o CEO da Nyse, parcerias com entidades desses países podem gerar intercâmbios produtivos de tecnologia, acordos comerciais, investimentos, prospecção de novas e potenciais empresas, visibilidade global para as marcas dentre várias outras vantagens estratégicas.
Brasileiras no topo
O Brasil é o terceiro maior país em termos de empresas listadas na Nyse, com 31 companhias – ficando atrás apenas do Canadá, com 74, e da China, com 42 – com uma capitalização de U$ 502,8 bilhões, o que representa 64% do total da América Latina.
A Aracruz Celulose S.A. foi a empresa que estreou o hall de brasileiras que ingressaram na NYSE com uma oferta pública inicial (IPO) – no ano de 1992 – em busca de aumento de visibilidade global, crescimento da base de acionistas, maior liquidez e acesso a novas fontes de recursos. A partir daí, outras empresas como a Cosan Limited, Gafisa S.A., Unibanco, Banco Bradesco e Eletrobrás, por último (em dezembro de 2008), seguiram o mesmo caminho, completando o número de 31 brasileiras listadas.
Uma menção honrosa e mais do que merecida para a Vale e a Petrobras, que estão entre os ativos estrangeiros mais negociados da entidade, sendo que a primeira delas, além de contar com acionistas nos 50 estados dos EUA, foi a precursora nacional em realizar uma listagem cruzada via fast path – no caso, quando uma empresa pode usar os ADRs e documentos de registros já utilizados na Nyse para entrar no mercado europeu via Euronext.
Crise e retração de mercado
Para Niedrauer, há sinais evidentes de melhora na macroeconomia global e nos índices de confiança com o mercado. Mas ele ainda está volátil, e sujeito a alterações. Por isso, o ideal é que se aguardem ao menos quatro meses para que projeções de uma recuperação mais efetiva possam ser feitas com maior segurança.
O CEO da Nyse falou também sobre a importância da educação financeira, até mesmo como alavanca para contornar o período turbulento pelo qual passamos. “Muitos americanos não entendem nem mesmo o básico sobre finanças”, disse. Por conta deste desconhecimento, acabam evitando a bolsa de valores, os fundos de investimento e em contrapartida, pagam taxas e planos abusivos nos bancos onde tem conta, diariamente. A solução para este problema somente se dará em longo prazo, com educação, estudo e acesso ao conhecimento.
IPO’s
Scott Cutler, por sua vez, falou sobre as IPO’s. “É difícil de projetar potenciais IPO’s de países emergentes. Mas a perspectiva é das melhores”.
A afirmação do vice-presidente executivo da Nyse teve um tom de alívio, pela perceptível retomada do crescimento do número de empresas abrindo IPO’s na entidade nos últimos anos. Confira a tabela comparativa de IPO’s entre a Bovespa e Nyse, nos três últimos anos:
Nyse BMF& Bovespa
2007 44 64
2008 12 04
2009 15 01
No ano de 2007, houve um verdadeiro boom de empresas abrindo capital, em ambas as bolsas. Em 2008, em meio à crise e a instabilidade econômica, os números diminuíram de forma colossal.
Já as informações de 2009 são relativas ao primeiro semestre do ano, e no caso da Nyse, mostram uma recuperação em relação ao ano passado, até porque, há a expectativa de que se atinja o número de 20 IPO’s até o mês de dezembro. A única empresa que registrou abertura de capital na Bovespa em 2009 (até então) foi a VisaNet.
Cutler e Niederauer revelaram ainda, que a subsidiária da brasileira JBS Friboi nos Estados Unidos, a JBS USA, tem planos para realizar abertura de capital na Nyse, provavelmente para este segundo semestre de 2009.
High frequency traders
Quando perguntados sobre a polêmica dos high frequency traders, programas avançados e de alta complexidade utilizados por investidores para comprar e vender ações em tempo recorde segundo as cotações do mercado, os executivos da Nyse se posicionaram contra os que alegam algum tipo de concorrência desleal. “Não é injusto. Quem tem práticas mais consistentes e tecnologias mais avançadas para lidar com o mercado, sai na frente”, alegou Niederauer. Ou seja, para ele, quem investe tempo, energia e dinheiro no desenvolvimento de novas ferramentas e soluções tecnológicas, tem méritos e o direito de utilizá-las a favor de sua empresa.
Autor(a): Germano Assad
Destinatario:
Nome:Seus Dados:
Nome:Comentário
Nome:Lista de materias para Seus investimentos
Site do mês |
( 1467 ) |
Confronto |
( 1302 ) |
Seus investimentos |
( 1188 ) |
Seus investimentos |
( 13 ) |
Site do mês |
( 8 ) |
Seus investimentos |
( 4 ) |
Seus investimentos |
( 36 ) |
Seus investimentos |
( 10 ) |
Eu na bolsa |
( 8 ) |