
“Day trade dá muito dinheiro...para a corretora”. Essa foi uma das inúmeras frases utilizadas por Maurício Hissa, o Bastter, em sua palestra realizada ontem na Expomoney, em São Paulo.
Com sua palestra intitulada Os verdadeiros segredos da bolsa, Bastter passou a maior parte das suas duas horas de palestra aconselhando os investidores - que lotaram duas salas do evento – a ver a bolsa como uma forma de poupança a longo prazo e não como um cassino ou jogo de azar como muitos pensam.
O consultor segue uma postura conservadora para gerir seus investimentos, mas ainda assim garante que está tendo bons resultados ao longo de seus mais de 25 anos de experiência no mercado. Bastter só investe nas maiores empresas do Ibovespa
Para ele, small caps não existem. Tampouco, uma carteira com muitas empresas. “Penso que o investidor deve ter entre quatro a sete empresas em sua carteira. Eu sempre olho para as três maiores empresas do Ibovespa – que hoje são Petrobras, Vale e Itaú Unibanco. Quando uma dessas três perde a posição no pódio, passo a analisá-la com mais calma. Se perder ainda mais posições, deixo de investir nela”.
Uma estratégia que pode ser considerar conservadora por muitos, mas que pode ser um bom caminho para quem tem algum receio de investir em ações.
O papel terrorista da imprensa
Outro ponto que chamou muita a atenção do público presente foi quando Bastter criticou a atuação da imprensa, que, em sua visão, tem desempenhado um papel contrário no que diz respeito a orientador o investidor quanto ao momento correto de investir. “Logo veremos, novamente, matérias sobre investidores que largaram seus empregos para se dedicarem exclusivamente à bolsa. As revistas semanais de circulação nacional, por exemplo, adoram contar essas histórias quando o mercado está em alta. Sobre o que estavam escrevendo quando podíamos comprar empresas como a Petrobras ‘de graça’ só lia-se sobre pânico, que só existe para vender revista e jornal”, polemiza.
No ápice da crise algumas empresas estavam sendo negociadas a custo zero. Ou seja, somente seu valor patrimonial estava sendo avaliado. “Seus lucros e possibilidades de rendimento haviam desaparecido. Enquanto isso, a imprensa, de forma geral, não incentiva ninguém a entrar para a bolsa. Só falava que esse era o início do fim do capitalismo e que o mundo iria acabar”.
Sobre isso, aconselha. “Se você não tem cabeça para digerir o que a imprensa fala, pare de ler o noticiário econômico. A mídia, muitas vezes, só serve para gerar pânico, principalmente nesses momentos de crise. Se quer ler alguma coisa da área, foque em conteúdos voltados à educação financeira e ao que vai te fazer crescer como investidor. Fuja das tragédias”.
O mito de comprar na baixa e vender na alta e o grande segredo da bolsa
Já virou clichê a afirmação de que para ter sucesso é preciso comprar ações na baixa e vendê-las na alta. De fato, isso não é novidade para ninguém e é o que todo investidor busca. No entanto, essa tarefa está muito distante do alcance do pequeno investidor, que para ele, “só existe para sustentar a bolsa, comprar na alta e vender na baixa. Nós, pequenos investidores, nunca vamos superar o mercado. Portanto, precisamos acumular o capital de boas empresas, sempre visando o longo prazo”, finaliza.
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Autor(a): João Guilherme Brotto
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