
A conjuntura econômica e as perspectivas para 2010 foi o tema da palestra do ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega. Com o auditório do Estação Embratel Convention Center, em Curitiba, lotado, Maílson fez um apanhado geral da atual situação da economia mundial, defendendo a tese de que o “pior já passou” e que as perspectivas para 2010 são favoráveis para o Brasil.
O Brasil e a marolinha
No ápice da crise, muitos criticaram os governos por terem socorrido os bancos e evitado as quebras bilionárias. No entanto, o economista afirmou que essas medidas foram fundamentais para preservar o bem-estar da sociedade como um todo – lembrando que uma das causas do crash de 1929 foi a falência generalizada dos bancos norte-americanos.
Pelas terras brasileiras, o que o presidente Lula chamou de marolinha causou danos sérios à economia. Tivemos retração do Produto Interno Bruto (PIB) por dois trimestres consecutivos e passamos por um período de recessão. No entanto, mesmo com a marola que virou ressaca, o Brasil soube surfar as ondas sem perder o equilíbrio e teve um desempenho melhor que outros países, posicionando-se, definitivamente, como uma das futuras potências globais.
O Banco Central teve um papel preponderante no desempenho da economia brasileira durante a crise. “O BC foi o principal fator de resistência do Brasil, pois providenciou liquidez ao sistema, baixou os juros e criou regras”, defendeu.
Paralelo a isso, temos uma situação externa favorável – o Brasil possui reservas estipuladas em mais de 200 bilhões de dólares. Além disso, ontem, tornou-se credor do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao emprestar US$ 10 bilhões à entidade em um movimento dos países emergentes liderados pela China, que adquiriu 50 bilhões.
Segundo Maílson, “o Brasil mudou, e mudou para melhor”. Fatos como o grau de investimento, concedido por três agências de risco (Standard & Poors, Fitch e Moody’s), colocaram o Brasil em uma vitrine de luxo, bem diante dos olhos dos grandes investidores internacionais. “Para quem não lê livros porque dá sono, Lula entendeu muito bem o que é e como gerir a economia”, brincou.
As tendências para 2010 e em que você deve ficar de olho
A respeito do cenário econômico em 2010, alguns tópicos foram destacados pelo economista:
Projeções macroeconômicas
|
Indicador |
2009 |
2010 |
|
PIB |
0% |
4,8% |
|
IPCA |
4,2% |
3,9% |
|
Selic |
8,75% |
8,75% |
|
Câmbio |
1,75 |
1,70 |
|
Balança comercial (em US$) |
24,9 bilhões |
25 bilhões |
As razões para o otimismo
Maílson traçou um comparativo entre a Inglaterra do século XVII e o Brasil atual. Alguns fatos que, naquela época, foram determinantes para que os ingleses passassem pela Revolução Industrial no século seguinte e se tornassem uma das maiores potências do mundo contemporâneo poderiam ser comparados ao que está acontecendo hoje em nosso País.
Na Inglaterra do século XVII, fatos como a elevação do parlamento britânico ao grau supremo e a redução dos poderes do Rei acabaram com o Absolutismo e foram fundamentais para que as pessoas perdessem o medo e os investidores passassem a investir com segurança no país. Isso, mais tarde, causaria a Revolução Industrial.
Hoje, “esse mesmo ambiente está sendo criado no Brasil. Temos uma democracia consolidada – mesmo com os problemas políticos, um Judiciário e uma imprensa independentes, instituições econômicas fortes e um Banco Central funcionando bem – algo que todas as grandes potências sempre tiveram”.
Por fim, Maílson deixa um recado aos empresários e investidores brasileiros: “Temos muitos problemas para resolver, mas há razões para otimismo”.
Autor(a): João Guilherme Brotto
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