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01/04/2010

OdontoPrev SA - ODPV3

Potencial geradora de sorrisos para o investidor

fotomateria

Quando é que os resultados anuais de uma empresa não foram exatamente os esperados pelo mercado, mas mesmo assim as suas recomendações são positivas? Entre outros fatores, isso pode acontecer quando a empresa é líder de mercado em um segmento com grande potencial de crescimento, sendo que sua liderança implica em uma participação de mercado pequena, por conta da ausência de grandes players nesse segmento. Esse é o caso da OdontoPrev (ODPV3), maior operadora de planos odontológicos da América Latina.

 

Os resultados da OdontoPrev no quarto trimestre de 2009 foram bons, mas não tanto quanto o mercado esperava. O lucro líquido no 4T09 foi de R$ 12,7 milhões, ou R$ 58,98 milhões durante todo o ano, um aumento de 6,9% em relação ao total de 2008. Isso seria um bom resultado, não tivesse a receita operacional líquida aumentado em 19,2%, para R$ 379,4 milhões. Ou ainda, não é um bom número quando se avalia o crescimento da base de clientes, de 2,46 milhões de pessoas para 4,17 milhões de usuários, uma alta de 69,7%. Os números parecem muito ruins, pois se a empresa cresceu tanto assim em número de clientes mas não viu as receitas crescerem ou o lucro não crescer junto, há algo errado.

 

No entanto, o crescimento expressivo da base de clientes deve-se principalmente à incorporação dos clientes da Bradesco Dental, realizada em dezembro de 2009. Se fosse considerada apenas a OdontoPrev, o número de clientes teria crescido 10,2% apenas, para 2,7 milhões de clientes. Assim que o negócio foi divulgado, a OdontoPrev viu sua base de clientes crescer 1,46 milhão. E é no trabalho de incorporação desses clientes e da Bradesco Dental como um todo à metodologia de trabalho da Odontroprev que o foco da empresa estará nos próximos meses.

 

Em primeiro lugar, a OdontoPrev trabalhará com o aumento do tíquete médio dos clientes Bradesco Dental. Ao longo de 2009, a receita gerada por cada cliente da OdontoPrev foi crescendo, de R$ 12,56 ao fim de 2008 para R$ 13,11 ao fim de 2009. Na Bradesco Dental, porém, ocorreu o inverso, de R$ 13,90 para R$ 12,86 no mesmo período. De acordo com o diretor presidente da OdontoPrev, Randal Luiz Zanetti, na teleconferência que apresentou os resultados da empresa, os números da Bradesco Dental refletem a política agressiva de conquista de clientes por parte desta.

 

Além disso, o Bradesco Dental também possui índices de sinistralidade, ou seja, número de pessoas que usam os serviços dos dentistas conveniados, acima dos da OdontoPrev. Enquanto aquela mostrou sinistralidade de 60,1%, os da OdontoPrev estão em 46,3%. “Isso é normal para o setor, há uma demanda represada por serviços de saúde que é suprida quando a pessoa adere pela primeira vez a um plano odontológico ou de saúde”, explica Zanetti. Segundo o diretor, ao longo de 2010 a empresa estará focada em entender melhor a carteira de clientes da Bradesco Dental para reduzir a sinistralidade e aumentar o tíquete médio da companhia.

 

Outro fator importante a ser considerado é que as empresas se uniram em dezembro de 2009, ou seja, ainda não houve tempo para haver ganhos de sinergia significativos na fusão. Há duas frentes de onde esses ganhos podem vir: do controle de custos internos e da reprecificação de contratos que forem expirando. Essa reprecificação, aliás, viria de qualquer maneira, para adequar as estruturas de custo da OdontoPrev às novas determinações da Agência Nacional de Saúde (ANS). Zanetti espera que os ganhos de sinergia venham a partir do segundo semestre desse ano, mas que números expressivos apareçam apenas no 4T10 ou 1T11.

 

 

Novas frentes de crescimento

 

Há três frentes de crescimento que devem ser acompanhadas de perto pelo investidor e, caso gerem os resultados previstos pela OdontoPrev, trarão bons resultados aos seus acionistas. A primeira delas é a consolidação das atividades da Dental Partner, uma subsidiária integral da empresa dedicada à compra de materiais odontológicos. Anteriormente, a rede credenciada fazia os pedidos de materiais diretamente à Odontoprev. Esta, por sua vez, emitia uma ordem de compra aos distribuidores, que faziam a compra dos fabricantes. O material seguia o caminho inverso para chegar aos consultórios odontológicos. Agora, com a Dental Partner e usando um software chamado Easy Dental Software, o dentista faz o pedido direto à Dental Partner, que compra os materiais direto dos fabricantes. O novo sistema atua sem estoques, em uma operação just-in-time, que permite a redução dos custos dos dentistas. Zanetti afirma que esse sistema está em sua primeira fase de implantação, mas que já mostrou ter custos de operação muito bons.

 

A segunda frente de crescimento dá-se no varejo. Com a parceria com a Bradesco Dental, os planos odontológicos entraram nas metas dos gerentes do Banco Bradesco, ou seja, os gerentes passam a ter interesse em vender os planos pessoa física da OdontoPrev para os clientes Bradesco, que hoje tem 54 milhões de clientes e presença em todos os 5.564 municípios brasileiros.

 

A parceria com o Bradesco dá o tom para a terceira frente de crescimento, dessa vez no México, onde a empresa montou uma parceria com o Iké Grupo Empresarial para a distribuição de planos odontológicos e que começou a pouco tempo. A OdontoPrev opera do Brasil os serviços, via web, relativos ao controle de qualidade, gerenciamento de sinistro e risco comportamental de associados e cirurgiões-dentistas. O Grupo Iké possui 15 milhões de clientes no México. E outro canal que pode ser utilizado, mas que ainda não há nenhum estudo de como isso possa acontecer, é o Banco Ibi, adquirido pelo Bradesco no fim de 2009.

 

 

Avaliação do resultado

 

O analista Iago Whately, do Banco Fator, teve uma boa impressão geral do resultado do 4T09, mas destacou que os números vieram abaixo das estimativas tanto do Fator como do mercado. Para o analista, houve um aumento na taxa de sinistralidade acima da expectativa, quando era esperada uma queda por conta da melhora da economia e conseqüente queda do benefício odontológico. O Fator também registrou como negativo a redução no tíquete médio mensal entre o 3T09 e o 4T09, de R$ 13,25 para R$ 13,11, o que a corretora atribui à alterção no mix de vendas e à maior participação dos planos corporativos em relação aos planos vendidos por meio dos canais de varejo. Por fim, Whately destacou como negativo a alíquota efetiva da provisão de imposto de renda e contribuição que foi de 38,4% no 4T09, alta de 9,9 pontos percentuais em relação ao 3T09, devido à adição de despesas não dedutíveis no período, o que explica parte da redução da margem líquida.

 

Do lado oposto, Whately destacou como positivo o aumento do número de beneficiários da OdontoPrev excluídos os que vieram da Bradesco Dental, o que confirmou a expectativa da corretora de aumento nas vendas de planos odontológicos corporativos em função da recuperação do mercado de trabalho. Outro ponto positivo, e que pode significar uma atuação agressiva da empresa no mercado de fusões e aquisições no segmento, é um caixa líquido ao fim de 2009 de R$ 538,7 milhões, sendo R$ 329,6 milhões vindos da Bradesco Dental. Zanetti explica que não há uma meta da empresa de acumular capital além do necessário, e que se houver oportunidades de consolidação no setor, elas serão avaliadas.

 

Em relatório enviado aos clientes da Bradesco Corretora, o banco considera as ações da OdontoPrev as favoritas para o setor de saúde, principalmente devido à união com a Bradesco Dental, o que dá acesso ao amplo canal de vendas que são as agências do banco com a maior cobertura geográfica do Brasil. Outro ponto destacado pela corretora é o fato de os preços da Odontoprev serem baixos e que sua penetração em planos de saúde ainda é modesta. A Bradesco indica ainda como positivo o sistema de gestão de risco de última geração da OdontoPrev, que a faz ter sinistralidade menor que a média do setor (45% contra 49% nos 9M09). Vale lembrar que a Bradesco Corretora opera de maneira independente do banco.

A empresa terá executado ao fim do primeiro semestre desse ano desembolsos de R$ 362,5 milhões para reduzir o seu capital, ou seja, dinheiro direto para o bolso dos acionistas. Isso sem contar com o pagamento de R$ 72,4 milhões a título de dividendos. Mesmo com esses desembolsos, a OdontoPrev terá um caixa líquido de R$ 103,8 milhões no fim do primeiro semestre, sem contar com os ingressos de caixa desses seis meses. E como a empresa possui uma baixa necessidade de investimentos, ela é uma forte geradora de fluxo de caixa livre. Ou seja, é uma empresa que gera dividendos robustos para seus acionistas.

 

 

Situação de mercado

 

De acordo com a Agência Nacional de Saúde, o setor de saúde suplementar no Brasil contava com 54,2 milhões de beneficiários em setembro de 2009, sendo 12,3 milhões de planos exclusivamente odontológicos. O total de receitas das operadoras de saúde suplementar no Brasil foi de R$ 44,1 bilhões até setembro de 2009. Em 2008, esse total foi de R$ 60,5 bilhões. As operadoras exclusivamente odontológicas tiveram receitas de R$ 838 milhões nos nove primeiros meses de 2009, contra R$ 1,17 bilhão nos doze meses de 2008.

 

O setor é ainda bastante fragmentado. A participação da OdontoPrev antes da associação com a Bradesco Dental era de 21% em setembro de 2009. Se forem somadas as participações dos quatro maiores grupos, esses grupos detêm atualmente 45% do mercado, ou seja, ainda há espaço para fusões e aquisições, pois há 478 operadoras em atuação no Brasil. Pelos dados da ANS, OdontoPrev e Bradesco Dental teriam juntas 32% o mercado nacional de planos exclusivamente odontológicos.

 

Outro ponto de potencial de crescimento é que o segmento de planos odontológicos está fortemente baseado nos planos coletivos, que representam mais de 85% dos planos comercializados no setor. Isso permite a liberdade na formação de preços, bem como a liberdade na negociação direta com os contratantes dos seus eventuais reajustes.

 

Há um ponto importante que tende a ser mais favorável aos planos odontológicos que aos planos de saúde convencionais. Enquanto nos planos de saúde médico-hospitalares há uma combinação que gera mais custos ao longo do tempo – aumento da idade dos usuários e incorporação de novas tecnologias mais caras e não substitutivas – na odontologia em geral há um custo maior no início da cobertura, logo que a pessoa adere ao plano, que tendem a ser menores ao longo do tempo. Além disso, as novas tecnologias que aparecem são substitutivas de anteriores, não incorrendo em grandes aumentos de custo. E o aumento da idade das pessoas troca o perfil de tratamento, mas não os deixa mais caros.

 

Para finalizar, pode-se comparar o tamanho do mercado brasileiro ao norteamericano. Nos Estados Unidos a penetração dos planos odontológicos está próxima da maturidade, com crescimento acompanhando basicamente o crescimento populacional, com cerca de 64% dos associados a planos médico-hospitalares e 57% da população total. No Brasil, mesmo consideradas as diferenças de renda, o setor está em estágio inicial, com penetração de 28,5% com relação aos associados a planos médico-hospitalares e cerca de 6,2% da população total.

 

 

Perfil

 

A OdontoPrev tem como objetivo oferecer soluções completas e de alta qualidade em saúde bucal. A empresa desenvolve diversos tipos de soluções aos seus associados, com foco principalmente na venda de seguros saúde odontológicos, nos mesmos moldes de Unimed e Amil, por exemplo. A assistência odontológica é, de acordo com a OdontoPrev, o terceiro benefício mais pedido por funcionários de grandes empresas.

 

A OdontoPrev trabalha com soluções customizadas para cada tipo de empresa e de acordo com suas necessidades, além de proporcionar um atendimento personalizado para a implantação do benefício dentro da empresa. A rede credenciada da OdontoPrev tem hoje 14 mil cirurgiões-dentistas em 1.090 cidades do Brasil. A empresa coloca à disposição de suas empresas-clientes células de atendimento multifuncionais para resolver qualquer problema, além da possibilidade de se gerenciar cada contrato online.

 

Histórico

 

A OdontoPrev foi fundada em 1987 por profissionais de odontologia que identificaram a oportunidade de propiciar planos odontológicos a clientes corporativos que já tinham o histórico de extensão desse tipo de benefício em seus países de origem e que demandavam elevado grau de profissionalização, qualidade e tecnologia. Em agosto de 1998, investidores de Private Equity adquiriram o controle da OdontoPrev. Esta associação contribuiu significativamente para o posicionamento estratégico da Companhia como consolidadora e líder do setor A partir de 1999, a empresa começa uma fase de crescimento acelerado com a incorporação de outros planos de saúde odontológicos. Em 1999, a empresa compra a Unidont. Em 2000, adquire a Clidec.

 

Em 2006 a empresa abriu seu capital em bolsa, arrecadando R$ 522 milhões e colocando 84,2% das ações em circulação no mercado. As aquisições continuaram em 2007, com a compra da DentalCorp e da Rede Dental. A Care Plus e Sepao Assistência Odontológica Empresarial foram adquiridas em 2008. Nesse ano, a OdontoPrev adquiriu 51% das cotas da Easy Software, empresa líder no segmento de sistemas de gestão para consultórios, clínicas e operadoras odontológicas. Em 2009 a OdontoPrev comprou a Prontodente Odontologia Integral, a OdontoServ Ltda e a Adcon Administradora de Convênios Odontológicos Ltda.

 

A grande mudança aconteceu em outubro de 2009, quando a OdontoPrev e a Bradesco Dental celebraram acordo de associação para integrar as atividades desenvolvidas pelas duas empresas. Pelo acordo, a Bradesco Saúde passou a deter 43,5% do capital total da OdontoPrev, enquanto os acionistas da OdontoPrev ficaram com o capital restante. A empresa resultante já iniciou suas operações com quatro milhões de segurados, configurando-se na maior operadora de planos odontológicos do Brasil.

 

OdontoPrev (ODPV3)

 

Indicadores de mercado (12m)

12/2007

12/2008

12/2009

26/02/2009

Preço / Lucro

40,9

18,2

48,0

50,0

Preço / Valor Patrimonial

8,6

4,1

3,6

3,8

Dividend yield %

2,2%

2,4%

6,0%

5,8%

Dividendo / Ação $

0,9591

0,5540

3,8685

3,8685

Valor de mercado R$

1,9 B

1,0 B

2,8 B

2,9 B

Price Sales Ratio (x)

13,1

5,5

7,5

7,8

 

Indicadores financeiros (12m)

12/2007

12/2008

12/2009

Lucro por ação (R$)

1,0746

1,2623

1,3321

Valor patrimonial por ação (VPA) (R$)

5,1384

5,5939

17,6178

Margem bruta %

57,0%

55,7%

54,6%

Rentabilidade Patrimonial Líquida (RPL) %

20,9%

22,6%

7,6%

Margem Líquida %

18,4%

17,3%

15,5%

Divida Bruta/Patrimônio Líquido

-

-

-

Liquidez corrente (X)

4,1

3,2

2,0

 

Balanço (no exercício)

12/2007

12/2008

12/2009

Ativo Total

306,1 M

339,0 M

1,1 B

Patrimônio Líquido

227,5 M

244,4 M

780,0 M

Receita Líquida Operac.

259,1 M

318,2 M

379,5 M

Lucro Operacional EBIT

47,6 M

59,7 M

72,6 M

Lucro Líquido

47,6 M

55,2 M

59,0 M

Número de meses

12

12

12

 

Fonte: Guia Invest – 26/02/2010


Autor(a): Adriano Koehler


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