George Soros é uma das figuras de maior destaque na economia mundial. É investidor, especulador e, como prefere ser tratado, filantropo profissional, além disso, escreveu vários livros de teorias e práticas financeiras. O mais recente, O novo paradigma para os mercados financeiros: a crise atual e o que ela significa, da Editora Agir, tenta explicar como o mundo chegou a essa crise.
As fronteiras das palavras – Soros, que também se identifica como filósofo frustrado, encontra a raiz do problema em uma grande verdade: não fazemos tudo direitinho, como manda o figurino. Somos seres humanos, temos nossas falhas. Improvisamos, descobrimos novas maneiras de fazer as coisas, algumas vezes com ética, outras, nem tanto. Essa característica é responsável por destruir qualquer sistema econômico que pregue a verdade absoluta, incluindo o comunismo e capitalismo de mercado ou laissez-faire. A propriedade comum de todos os meios de produção automaticamente resolve todos os problemas? Balela. Não “meta” a mão que o mercado, as forças de oferta e procura, ajeita por si só qualquer situação? Conversa “pra boi dormir”. Onde tem ser humano no meio as coisas não saem como o esperado, ferramentas e regulamentos são necessários para fazer a coisa funcionar mais ou menos bem.
Soros descreve bem como a crise do mercado imobiliário norte-americano se desenvolveu, como uma boa parte da economia foi construída em cima de empréstimos sem garantia alguma de pagamento, na esperança de que os imóveis iriam sempre se valorizar para compensar o risco absurdo. Mas afirma que ela é apenas uma bolha normal que estourou e que o verdadeiro problema está na “superbolha”, que está armada sob a cabeça do mundo.
Ainda assim, não é garantia. A frase é atribuída a um tal Coronel Chico Heráclito: “Leis são como cercas: quando é forte, a gente passa por baixo e quando é fraca, a gente passa por cima.” Infelizmente não são poucos com esse pensamento.
Os 3 pilares
Segundo George Soros, são três os grandes agentes da “superbolha” que está para estourar, observe:
Juntando os três pilares, diz Soros, temos um cenário em que os recursos fluem dos países da periferia para os principais, com o pagamento de empréstimos feitos e adoção de políticas monetárias ortodoxas.
O que torna essa crise mais perigosa que as demais é que as nações ricas gastaram muito mais que receberam e não têm dinheiro para pagar. Soros compara a situação deles com a dos países em desenvolvimento nos anos 80 e começo dos anos 90.
Ainda assim, Soros vê algumas saídas para a confusão que estamos passando, acompanhe:
Atenção – Soros alerta que, por melhor que lidemos com essa crise, ela não é garantia de que não surgirão novas situações difíceis. Segundo ele, já estão em gestação algumas bolhas que irão nos preocupar nos próximos anos:
Segundo Soros, vamos sobreviver a essa bolha, e às próximas. Ganha quem souber ler os sinais que estão aí e proteger seus recursos em investimentos sólidos.
Como investir – Enquanto aguardamos o desenrolar da crise, é preciso saber no que investir nosso dinheiro. Mohamed El-Erian, um dos diretores de informações da respeitada Pacific Investment Management Company, dá mais algumas dicas em seu livro Mercados em colisão da editora Ediouro. Para ele, à primeira vista, nada mudou: o investidor ainda quer ter retornos atraentes adequados ao risco que ele corre. No entanto, mais que nunca, ele deve estar atento às mudanças políticas e econômicas que surgem – e muitas outras surgirão – em seu país. Isso é fundamental para alocar bem seus ativos.
Na prática, lógico, nada impede uma pessoa de mudar os rumos de seus investimentos, através de compras e vendas. Entretanto, Mohamed sugere que comece sua análise imaginando que não poderá fazer essa mudança. Assim, você analisa a situação com mais profundidade e, no mínimo, evita os tributos nessa mudança de investimentos.
A primeira grande dica de Mohamed, então, é exercer a disciplina e pesquisar muito antes de investir. Ele analisa alguns investimentos disponíveis, confira:
A crise existe, mas como Mohamed alerta, essa é uma época em que tanto investidores como mentores políticos tomam decisões. É uma sorte viver nesses tempos, em que novas oportunidades surgem. “Os ganhos resultantes vão bem além de um desempenho superior de investimento e implementação de uma boa política. Se refletem na capacidade de tornar essa era de mudança econômica global compatível com alto crescimento mundial, diminuição da pobreza e relativa estabilidade financeira”, explica.
Colaboração: Brasílio Andrade Neto
Autor(a): Revista Investmais
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