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01/02/2010

Bancos: uma excelente opção para 2010

Ajuda os leitores a entenderem as razões que fazem com que o setor bancário seja um bom investimento.

fotomateria

Bancos: uma excelente opção para 2010

Dentre as dezenas de empresas de capital aberto do setor, destacam-se Bradesco, Itaú Unibanco e Santander

 

Por Natasha Schiebel

 

Para o setor bancário, 2009 foi um ano marcado por dois momentos diferentes: enquanto muitas dúvidas cerceavam o setor no primeiro semestre; com a inadimplência crescendo 10,4%, de acordo com o indicador da Serasa Experian, a liquidez prejudicada no mercado e os resultados piores que os apresentados em anos anteriores; no segundo, com a recuperação da economia e a melhora na liquidez, os bancos registraram o maior lucro entre as empresas de capital aberto no Brasil. De acordo com um estudo divulgado no fim de novembro pela consultoria Economatica, de julho a setembro, os bancos somaram R$7,57 bilhões, o que compõe mais de 20% do lucro total de todas as companhias brasileiras.

A conclusão de José Góes, analista e economista da corretora WinTrade, é que, depois da crise de liquidez no mundo, o setor financeiro brasileiro se mostrou bastante sólido, principalmente com a incorporação do Unibanco pelo Itaú. Para ele, a reestruturação do setor nos anos 90, com o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) e a regulamentação mais severa (com os bancos se enquadrando nos limites determinados pela Basileia), fez com que fosse possível atravessar a última crise (do subprime) de maneira exemplar. “A rápida atuação do Banco Central, que adotou medidas para injetar liquidez na economia, também teve um papel relevante para que o setor bancário voltasse a emprestar. Tudo isso, aliado à rápida reação do PIB brasileiro, garantiu mais um ano de expansão significativa da carteira de crédito dos bancos”, analisa.

Em suma, o ano de 2009, que teve um início complicado, em consequência das turbulências dos dois últimos anos, e que aparentemente seria ruim para o setor financeiro, acabou se transformando em um grande ano para os bancos.

 

Tendências e perspectivas

Tudo o que aconteceu no decorrer de 2009 fez com que os especialistas pudessem projetar bons resultados para os bancos brasileiros em 2010. “O principal fator positivo que enxergamos para este ano é a retomada do crescimento de crédito para patamares mais robustos. E a redução da inadimplência, que foi percebida no fim do ano passado, dá o respaldo que os bancos precisam para que esse crescimento no crédito se concretize”, explica Laura Lyra, analista da corretora Ativa.

Um dos fatores que pode ajudar os bancos a crescerem em 2010, segundo Laura, é o grande espaço que eles ainda têm para ocupar: “Existe uma boa faixa da população brasileira que ainda não é ‘bancarizada’, e é nela que os bancos devem focar para que consigam aumentar sua carteira de clientes”. Seguindo a linha de raciocínio de Laura, vale analisar os últimos dados divulgados sobre a população brasileira “desbancarizada”. Apesar de impressionantes, eles ajudam a comprovar a tese da analista de que existe um grande mercado a ser ocupado pelos bancos.

Em maio de 2009, o Instituto Ibope Inteligência levantou informações sobre a população brasileira que possui conta corrente ou poupança e identificou que, atualmente, pouco mais da metade dos brasileiros (51%) fazem parte desse grupo. Confira, no gráfico abaixo, quem são e onde estão essas pessoas:

 

 

 

Aspectos positivos e negativos do setor

Como é possível perceber por meio dos fatos e números apresentados pelos especialistas, investir no setor bancário nos próximos meses e anos pode ser uma boa sacada. No entanto, mesmo com a melhora recente e perspectivas positivas para o futuro, antes de fazer um investimento em uma empresa do setor, é preciso analisá-lo de uma maneira mais geral, conhecendo os pontos positivos e negativos que independem do momento em que ele vive.

Para Pérsio Nogueira, da corretora Planner, no fim do ano, os bancos deverão crescer cerca de 20%, o que é muito bom se olharmos para tudo o que aconteceu nos últimos três anos. O que poderia afetar negativamente o resultado do setor financeiro nacional seriam problemas externos, mas a última crise, na visão do analista, evidenciou o preparo dos bancos brasileiros para enfrentar os problemas internacionais. “Hoje temos ferramentas extremamente diversificadas de captação e, se conseguimos passar com certa tranquilidade pela crise do subprime, passaremos com ainda mais facilidade pela próxima”, pontua. Já os problemas internos, na visão de Pérsio, não teriam poder para derrubar os bancos, que vivem um momento muito positivo.

Analisando friamente o setor financeiro, ele acredita que um dos principais pontos favoráveis do segmento seja a boa administração feita nas empresas de uma maneira geral. Para Pérsio, o que vemos atualmente no setor é praticamente um oligopólio, que geralmente se sobrepõe aos mercados organizados. “Além disso, apesar de os problemas macroeconômicos poderem afetar o setor, a rentabilidade boa é um ponto quase certo no segmento, que acaba sempre saindo como sobrevivente de momentos de turbulência”, explica.

Outro aspecto positivo para quem investe em bancos é o pagamento de dividendos. Segundo o representante da Planner, os bancos em geral são bons pagadores de dividendos, dificilmente fazem aumento de capital (porque não precisam) e são geradores de caixa. “Por isso tudo, investir em ações de bancos pode ser uma ótima alternativa”, pondera.

Na visão de Laura, “os bancos brasileiros são muito sólidos, não enfrentam problemas de solvência, Basileia baixa ou liquidez – dificuldades que os bancos norte-americanos enfrentavam. E isso acontece muito devido a exemplos passados, que já ocorreram por aqui e fizeram com que nos preparássemos melhor”.

Quando se procuram pontos negativos no investimento em bancos, os analistas ressaltam aspectos mais pontuais relacionados ao desempenho das instituições financeiras nos últimos meses e anos. Para Pérsio, a queda na lucratividade apresentada em 2009 fez com que empresas de outros setores passassem a ser consideradas mais atrativas pelos investidores. No entanto, ele afirma que a tendência é de que, em 2010, devido a todos os fatores já citados anteriormente, a lucratividade dos bancos deve voltar a crescer, e esse pode deixar de ser um ponto negativo, ou seja, praticamente o ponto negativo se anula. Entretanto, Paulo Esteves, da corretora Gradual, aconselha: “Fique sempre atento ao que acontece no mercado e, antes de investir, observe como anda a lucratividade da empresa. Esse pode ser um fator fundamental no sucesso do seu investimento”.

Com os pontos positivos e negativos destacados pelos analistas das corretoras Ativa, Gradual, Planner e WinTrade, Ana Carolina Paes de Barros Boyadjian, da Lafis Consultoria, ressalta:

 

Pontos positivos

Pontos negativos

Elevado desenvolvimento tecnológico.

Histórico de instabilidade macroeconômica do Brasil.

O setor é considerado sólido e de credibilidade.

Baixo volume de crédito.

Capacidade de adaptação aos diversos cenários econômicos.

As instituições são pequenas em âmbito internacional.

Alta rentabilidade.

Dificuldade em incorporar população de baixa renda.

Forte expansão de cartões como meio de pagamentos.

Carga tributária elevada.

Concorrência por diferenciação de produtos e serviços e menos por preços.

 

 

A Lopes Filho também espera um bom ano para os bancos. Os analistas da consultoria de investimentos apostam, em especial, em três empresas do setor: Itaú Unibanco, Bradesco e Santander. “A expansão do crédito em 2009, já chegando a 45% do PIB, assim como o juro básico descendente, são considerados importantes pontos catalisadores para a retomada da economia neste ano e no próximo. Sendo assim, o sistema bancário acaba beneficiado e tanto a melhoria na qualidade do crédito, com a inadimplência sob controle, quanto a redução das despesas de provisão ganham importância. Há grande possibilidade de novas fusões entre os bancos pequenos, médios e grandes. Dentre os fatores de risco, devemos destacar a queda de rentabilidade, com a redução do spread, e os possíveis estresses causados pela fragilidade das instituições financeiras internacionais”, descrevem por meio de relatório.

Pontos positivos

  • O governo brasileiro foi ágil no sentido de evitar um contágio sistêmico advindo das bancarrotas de instituições financeiras globais, quer por meio da liberalização do compulsório, quer disponibilizando o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para compras de carteiras ou atuando diretamente na aquisição de carteiras de crédito por meio de bancos sob seu controle.
  • Bancos de pequeno e médio portes buscaram a desalavancagem numa estratégia defensiva, elevando o caixa e adotando maior critério na seletividade dos empréstimos a fim de preservar a qualidade da carteira de crédito.
  • Adventos societários de fusões e aquisições, tanto na esfera estatal como no âmbito privado, criam bancos mais sólidos financeiramente, ampliando a capacidade competitiva.

Pontos negativos

  • Provisões se elevaram e os bancos vão ter de conviver com maior risco nas operações de crédito causado pela expectativa de queda na renda e na taxa de ocupação.
  • Margens financeiras continuaram pressionadas no decorrer de 2009, seja pela escassez de linhas externas e aversão ao risco dos investidores institucionais ou pela aceleração das despesas com provisionamentos. No limite, isso significa menor capacidade de gerar ROEs em 2009.
  • Incerteza acerca do prolongamento e profundidade da crise internacional, mas, referente à ausência de uma reforma financeira profunda nos EUA e Europa, tende a gerar um efeito de precaução em relação aos investimentos, o que repercute na dinâmica da demanda por crédito.

 

Principais players do setor

Depois de saber quais são os aspectos positivos e negativos do setor de uma forma geral, chega a hora de decidir em qual empresa investir. Opções são o que não faltam, visto que pertencem ao mercado: Alfa, Banestes, Banco ABC Brasil, Banco Alfa de Investimentos, Banco Amazônia, Bradesco, Banco do Brasil, Banco Cruzeiro do Sul, Banco Daycoval, Banese, Banco do Estado do Pará, Banco do Estado do Piauí, Banco do Estado do Rio Grande do Sul, Banco Industrial e Comercial, Banco Indusval, Banco Mercantil de Investimentos, Banco Mercantil do Brasil, Banco Nordeste do Brasil, Banco Nossa Caixa, Banco Panamericano, Banco Patagônia, Banco Pine, Santander, Banco Sofisa, BRB Banco de Brasília, Consórcio Alfa de Administração, Itaú Unibanco, Itaúsa Investimentos, Itaú, Paraná Banco e Votorantim Finanças. No entanto, três empresas se destacam: Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.

 

Empresa

Características

 

Itaú Unibanco

Maior banco do Brasil, foi fundado em 4 de novembro de 2008 mediante a fusão de duas das maiores instituições financeiras do País – Banco Itaú Holding Financeira e Unibanco. Juntas, as duas instituições tinham, em setembro de 2008, ativos de R$575,1 bilhões, um patrimônio líquido de cerca de R$51,7 bilhões e uma carteira de crédito combinada de R$225,3 bilhões. O lucro líquido somado dos dois bancos, de janeiro a setembro de 2009, foi de R$8,1 bilhões. O novo banco nasceu com o principal objetivo de fortalecer suas operações nacionais e internacionais, tornado-se o nono maior das Américas em ativos, com US$324,041 bilhões. Em 2009, foi eleito pelo Great Place to Work Institute (GPTW) como uma das cem melhores empresas para se trabalhar no Brasil.

 

Bradesco

Segundo maior banco privado do Brasil (em ativos totais), foi fundado em 1943 e cresceu principalmente por meio de fusões e aquisições. Em 4 de junho de 2009, o Bradesco fechou a compra do Banco Ibi, ligado à rede varejista holandesa C&A, em um negócio de R$1,4 bilhão.

 

Santander

Em 1997, o Grupo Santander adquiriu o Banco Geral do Comércio S.A. As três aquisições feitas nos anos subsequentes fizeram com que o Santander ganhasse posição entre os maiores grupos financeiros do setor no Brasil. Em 2008, o banco comprou a operação do holandês ABN Amro Bank na América Latina, controlador do Banco Real, tornando-se, no Brasil, o terceiro maior banco em ativos.

Fonte: Históricos das empresas.

 

Confronto

Quando se fala em escolher uma empresa para investir, os analistas são categóricos: Itaú Unibanco parece ser a melhor opção atualmente. “Eu acho que a fusão entre as duas empresas foi bem interessante, pois permite que a nova instituição se aproveite de um cross selling de produtos que um tinha e outro não e de clientes também”, opina Laura. Para ela, em 2010 o Itaú Unibanco irá se aproveitar bastante das sinergias com a fusão: “Agora que aconteceu a migração das agências para o Itaú é que eles vão conseguir ‘abocanhar’ a sinergia. Além disso, eles têm um estoque bem elevado de provisões”.

Também apostando no Itaú Unibanco, Pérsio afirma que, para ele, muitos dos ajustes que as duas empresas (agora fundidas) fizeram em 2009 irão voltar em 2010: “O que gerava despesa vai gerar lucro. Acredito que até o fim deste ano a conexão entre as agências deva ser concluída e os clientes das duas empresas terão muitas facilidades, o que será um diferencial para eles”, analisa.

Para Paulo Esteves, essa fusão tende a dar uma força extra à instituição e abrir novas frentes para o negócio. Ou seja, na visão dos especialistas, investir em bancos pode ser uma ótima opção e investir no Itaú Unibanco, a melhor das escolhas.

 

Itaú Unibanco (ITUB3)

Dados

9/2008

12/2008

9/2009

5/1/2010

Preço/Lucro

16,1

11,3

14,9

16,1

Preço/Valor Patrimonial

4,1

2,0

2,7

2,9

Dividend yield

3,1%

6,1%

3,3%

2,2%

Dividendo/Ação R$

0,8825

1,1924

0,9351

0,6929

Valor de Mercado

128,0 B

88,1 B

129,6 B

140,7 B

 

Balanço

Dados

9/2008

12/2008

9/2009

Ativo Total

396,6 B

632,7 B

612,4 B

Patrimônio Líquido

31,6 B

43,7 B

48,9 B

Receita Interm. Financ.

35,3 B

64,7 B

58 B

Result. Bruto Interm. Fin.

11,7 B

10,4 B

24,2 B

Lucro Líquido

5,9 B

7,8 B

6,9 B

 

Bradesco (BBDC3)

Dados

9/2008

12/2008

9/2009

5/1/2010

Preço/Lucro

10,1

8,1

12,0

12,5

Preço/Valor Patrimonial

2,4

1,8

2,3

2,4

Dividend yield

3,4%

7,4%

3,1%

2,7%

Dividendo/Ação R$

0,9092

1,4807

0,8940

0,8139

Valor de Mercado

82,6 B

61,4 B

89,4 B

93,3 B

 

Balanço

Dados

9/2008

12/2008

9/2009

Ativo Total

422,7 B

454,4 B

485,7 B

Patrimônio Líquido

34,2 B

34,3 B

38,9 B

Receita Interm. Financ.

39,8 B

57,6 B

48 B

Result. Bruto Interm. Fin.

13,0 B

15,8 B

15,0 B

Lucro Líquido

6,0 B

7,6 B

5,8 B

 

Santander (SANB3)

Dados

9/2008

12/2008

9/2009

5/1/2010

Preço/Lucro

39,8

44,0

66,6

66,6

Preço/Valor Patrimonial

1,5

1,4

2,1

2,1

Dividend yield

6,7%

2,8%

2,5%

1,7%

Dividendo/Ação R$

0,0107

0,0043

0,0061

0,0041

Valor de Mercado

74,2 B

69,6 B

111,3 B

111,3 B

 

Balanço

Dados

9/2008

12/2008

9/2009

Ativo Total

328,1 B

340,6 B

334,8 B

Patrimônio Líquido

49,8 B

48,8 B

52,1 B

Receita Interm. Financ.

14,3 B

30,4 B

24 B

Result. Bruto Interm. Fin.

3,1 B

6,9 B

10,1 B

Lucro Líquido

1,3 B

1,6 B

1,4 B

Fonte: www.guiainvest.com.br


Autor(a): Natasha Schiebel


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