O crescimento da economia mundial e brasileira tem seus reflexos também no setor siderúrgico. Os últimos anos foram marcados por quebra de recordes de produção, aumento do consumo interno, grande demanda internacional e, conseqüentemente, forte valorização das ações das empresas atuantes no ramo. O mercado está bastante aquecido, tanto na esfera global quanto na doméstica, e as perspectivas são positivas para o futuro.
No Brasil, a expansão do crédito, o aumento da renda e a redução nas taxas de desemprego ampliaram o consumo, tanto de aços longos (construção civil) em que a Gerdau é a mais beneficiada como de aços planos (com destaque para o setor automobilístico e de bens de consumo duráveis) em que a Usiminas é líder de mercado.
Em 2007, o consumo de produtos siderúrgicos chegou ao número recorde de 22 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 19% em relação a 2006. Já a produção, no mesmo período cresceu 9%, atingindo a inédita marca de 34 milhões de toneladas de aço bruto. Um estudo do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) aponta que com esse crescimento, as empresas siderúrgicas brasileiras preservaram condições para atendimento pleno do mercado interno e manutenção de elevados volumes de exportações, que situaram o setor entre os grandes geradores de saldo comercial do País. E com os ventos soprando a favor da economia brasileira, 2008 tende a ser promissor também para o setor siderúrgico. O IBS estima que neste ano o consumo aparente de aço aumente em 10%, chegando a 24,2 milhões de toneladas.
Analisando o mercado internacional, as perspectivas são igualmente favoráveis para o setor, principalmente em função dos países emergentes, como explica o analista Carlos Fernando Kochenborger da Geração Futuro: “O consumo per capita dor Futurogentes, como explica Carlos Kochenberger da Geraç aço nesses países ainda é muito pequeno. Eles estão em novas fases de crescimento e essa demanda elevada por aço vai persistir por bons anos à frente, garantindo preços em níveis elevados e rentabilidade para as siderúrgicas. E em um ambiente de aumento de custos, entram as vantagens competitivas das empresas brasileiras, como o acesso a minério de ferro, boa localização e interessantes projetos de investimentos”.
Estratégias que dão resultado
Tanto Gerdau quanto Usiminas adotaram políticas que têm contribuído para que possam atender ao aumento da demanda por aço. A Usiminas anunciou em fevereiro a aquisição de quatro minas no quadrilátero ferrífero, na região de Itaúna/MG, uma das maiores províncias minerais do Brasil. Essa aquisição, mesmo em um cenário pessimista, irá agregar muito valor à empresa, pois aumenta a garantia de atendimento eficaz à forte demanda.
Em 2007, a Gerdau adquiriu duas empresas dos EUA (MacSteel e Chaparral Steel Company) e aumentou sua participação no mercado norte-americano. Isso, aliado às aquisições feitas pelo grupo em anos anteriores, propiciaram um certo conforto em relação às suas reservas: “Em um passado recente, a Gerdau imaginava atingir um número de 30,4% de auto-suficiência, importando o restante. Mas como o preço do minério está subindo muito, irá acelerar a exploração dessas minas, chegar a 80% de auto-suficiência e reduzir seus custos”, completa Kochenborger. Para ele, a atitude que a Gerdau tomou no ano passado e a Usiminas nesse ano – com relação a se proteger da alta de custos, demanda forte pelos produtos e preços acima do esperado – é o cenário que fez com que as ações subissem tanto no início do ano”.
O que pode atrapalhar?
Alguns fatores, no entanto, podem vir a prejudicar o setor. Um deles seria um desequilíbrio no mercado internacional do aço provocado por um crescimento da oferta por parte da China. Esse temor existe há alguns anos, mas por questões de custos, meio ambiente e logística, a China não se mostra competitiva a ponto de ganhar mercado das siderúrgicas brasileiras. Entretanto, é um risco que não pode ser descartado.
Altas no preço das matérias-primas em que o Brasil não é auto-suficiente, como o carvão, também podem ser prejudiciais ao setor. Hoje, tanto Gerdau quanto Usiminas têm jazidas de minério de ferro que minimizam o impacto, porém uma alta prolongada no preço dessas matérias-primas seria um risco.
Uma depreciação excessiva do dólar também é um ponto relevante, porque hoje se trabalha no mercado interno com prêmio em relação aos preços do mercado externo. Isso reflete o custo de importar aço e internalizá-lo, pagar frete, seguros e custos de portos. Então, caso haja essa desvalorização, esses prêmios seriam reduzidos, prejudicando a rentabilidade da siderurgia.
A pedido da InvestMais, Kochenborger levantou alguns pontos específicos de cada empresa a que o investidor precisa estar atento. Confira:
Usiminas
“A Usiminas talvez não tenha previsto esse crescimento tão forte no mercado interno. O ‘problema’ é que a demanda tende a aumentar ainda mais e os investimentos quentar ainda mais. Eestidor precisa estar ela fez no sentido de aumentar sua capacidade de produção só estarão inteiramente concluídos em 2011/2012. Nesse período, vai perder market share, e ela mesmo admite isso. Hoje, tem 52% do mercado, mas nos próximos anos deve ficar com 48%.
O risco é no futuro, quando tiver nova capacidade de produção, pode não conseguir retomar mercado. No entanto, eu acredito que irá conseguir basicamente por dois fatores: o relacionamento de longo prazo que mantém com os clientes e a qualidade do produto. Entretanto, o risco não pode ser descartado. Os projetos entraram com atraso. Se tivesse sido mais agressiva nos seus planos, poderia estar mais tranqüilo em relação a isso.”
Gerdau
“O risco é estar na exposição dos EUA e da América Latina. Em alguns países latino-americanos em que está instalada, os custos de produção estão aumentando. São países que têm deficiências de infra-estrutura, por isso os custos com energia elétrica e aquisição de sucata subiram muito. E como eles estão em um nível de desenvolvimento menor, não produzem tanta sucata. Portanto, para produzir aço, a Gerdau está importando essa matéria-prima. Ela terá de ter bastante cuidado para lidar com esses problemas. O grande risco nesse caso seria demorar para atingir a excelência nesses países.
Nos EUA, ela está aumentando a exposição no segmento de aços especiais comprando a MacSteel num momento em que a indústria automobilística norte-americana não atravessa um bom momento. Entendo como acertada essa estratégia a longo prazo, m, msa decisstica norte ndo a Maxtapacidade deproduaças no curto prazo isso não será muito bom.”
Em qual investir?
Se você for investir pensando no bom momento que o mercado interno brasileiro vive, a Usiminas é a melhor opção, pois tem mais de 80% de sua produção comercializada no Brasil. “É a que, talvez, irá refletir mais no curto prazo, porém a Gerdau é a que paga mais dividendos e irá crescer nos mesmos moldes, portanto é difícil dizer qual é a melhor opção. O ideal mesmo é dividir seus investimentos entre as duas, pois o setor siderúrgico irá trazer bons frutos aos investidores por uns bons anos”, finaliza Carlos. o Brasilm momento que o mercado interno brasileiro vive, a Usiminas ser
Em resumo
A companhia atua focada no mercado doméstico, para o qual destina preferencialmente cerca de 70% das vendas, oferecendo produtos de alta qualidade e valor agregado. É o principal fornecedor de aços planos para os diversos setores da indústria brasileira – automobilístico, autopeças, naval, tubos de grande e pequeno diâmetro, construção civil, máquinas e equipamentos, distribuidores, eletroeletrônicos – com market share de 52%. O mercado externo serve como alternativa, em que a companhia também tem presença marcante, atendendo a importantes regiões como América do Norte, América Latina, Europa e Ásia. O bloco de controle da companhia, recentemente reestruturado, é composto por acionistas importantes no contexto do setor (Nippon Steel, Grupo Votorantin, Camargo Corrêa e Vale), com interesse reafirmado em investir em seu fortalecimento, crescimento e posicionamento estratégico no âmbito da siderurgia mundial.
Dada extensão geográfica dos territórios brasileiro e norte-americano, que dificulta o transporte e eleva os custos de frete dos produtos siderúrgicos, suas operações são, em sua maioria, descentralizadas e baseadas no conceito de mini-mills, em que os insumos são comprados localmente e a produção feita em plantas dimensionadas e localizadas de forma a atender aos mercados locais e permitir acesso eficiente aos clientes. Além disso, possui estrutura de custos competitiva, resultante da diversificação dos processos de produção e fontes múltiplas de matérias-primas.
Para consolidar sua posição no mercado siderúrgico, a estratégia de expansão da Gerdau está focada em oportunidades de aquisições, alianças e parcerias estratégicas e ampliação na linha de produtos de maior valor agregado, e suas decisões têm como objetivo a contínua geração de valor aos acionistas e a manutenção dos níveis de retorno de suas operações.
Fonte: Geração Futuro
Autor(a): DA REDAÇÃO
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