Um setor que faz jus ao nome. Essa é a aposta das lideranças do mercado de seguros e resseguros para quem pretende investir mas não pensa em curto prazo. Após fechar o balanço do ano passado, próximo à casa dos R$100 bilhões, o setor deve sofrer leve desaceleração este ano. As perspectivas além de 2009, entretanto, são consideradas bastante atrativas.
“O ano de 2008 foi muito bom para o mercado de seguros”, garante André Santos, especialista em comunicação de venda para o mercado de seguros e diretor da Consultoria e Treinamentos em Seguros (Treinaseg). Baseado em dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), que apontam que o mercado, a despeito da crise, cresceu 5,2% em janeiro deste ano, ele acredita que tal evolução perdurará ao longo de 2009. “Esse é um mercado que já vem crescendo faz tempo, tanto de receita quanto de faturamento e de produção. Mesmo com a crise mundial, as lideranças do mercado dizem que o setor de seguros não sofrerá. Pode dar uma desacelerada, mas a expectativa é que continue crescendo”, afirma.
Iago Whately, analista do banco Fator, está mais cauteloso em relação a 2009. “Este ano indica que será pior que o ano passado para as seguradoras. Do lado operacional, diminuiu o ritmo de vendas de seguros em função do aumento de desemprego, da menor renda disponível, da menor confiança das pessoas e, por outro lado, a taxa de juros está em uma trajetória descendente”, revela. A opinião é endossada por outro analista, Henrique Navarro, do banco Santander. “Existe um valor enorme que as seguradoras guardam em seu balanço para fazer vez ao sinistro. Esse dinheiro é depositado como uma aplicação financeira normal, que qualquer pessoa faz. E o calcanhar de Aquiles das seguradoras é a Taxa Selic declinante. Para se ter uma ideia, essa é a segunda maior fonte de receita das seguradoras – a maior, obviamente, é a de seguros – então é muito relevante. O segundo fator importante é que estimamos que o número de desempregados no Brasil aumente em 1,5 milhão no decorrer do ano. Dá para imaginar que grande parte dessas pessoas, na hora que a coisa começar a ficar mais complicada, poderá reduzir os seguros”, destaca.
O cenário, entretanto, não preocupa a longo prazo. “Quando a gente olha sob uma perspectiva de longo prazo, nossa expectativa para a indústria de seguros, em geral, é muito positiva. Ao fazer a conta do total pago de seguros em relação ao PIB, constata-se que ainda é muito baixo em comparação com países desenvolvidos e até com outros mais parecidos com o Brasil, então tem um potencial muito grande de desenvolvimento”, pondera Whately. “Existem alguns dados que são ruins para o setor de seguros, como o crescimento do PIB sendo revisado para baixo, mas o fato é que as pessoas continuam com aquele senso de garantia que faz você aderir a seguros, ou seja, na hora que você começa a cortar algumas coisas, seguro não é a primeira delas. Existe uma certa resiliência que ajuda o setor a se manter”, complementa Navarro.
Microssetores do seguro
Paulo Henrique Annes, membro da Comissão de Administração e Finanças da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg), explica que o setor de seguros tem suas particularidades que devem ser observadas na hora de escolher uma carteira de ações. “Na verdade, quando se está em um momento de crise, é preciso olhar aqueles setores que são menos elásticos à renda”, diz. Annes revela que, dos setores segurados, o maior crescimento deve acontecer no mercado de previdência e capitalização. “Nesse momento, as pessoas estão menos propensas a comprar uma televisão ou um carro e a fazer um seguro para esse novo bem e tendem a poupar mais. A capitalização e a previdência, que são os setores de acumulação de seguros, oportunizam esse cenário. Em um período de crise geralmente você reduz consumo e aumenta poupança”, constata.
O setor de automóveis, em contrapartida, deve sofrer leve impacto este ano. “Ele terá um menor crescimento porque há menos carros novos na rua. Mas, já existe um contingente de automóveis e as pessoas que têm esse patrimônio querem preservar. Talvez, haja uma taxa de crescimento do mercado menor, mas não deve haver retração”, aponta Annes. Resultado semelhante é esperado por ele para os setores menos populares de seguros. “Seguro residencial, de vida, de riscos diversos, entre outros, tem um mercado ainda muito grande para crescer. Há um trabalho do mercado de seguradoras para fazer com que as pessoas percebam essa necessidade”, explica. Os que já possuem seguros desse tipo, na visão do representante da CNSeg, tendem a mantê-los. “Acredito que, nesses ramos, tem-se um processo semelhante ao de automóveis: tende a ter um nível de crescimento menor”, afirma.
Entretanto, o profissional observa com desconfiança o setor da saúde. “A saúde deve ser afetada pelos planos coletivos, sobretudo se continuarmos com processo de demissão. Se isso continuar, as seguradoras, cuja maior parte da carteira é de planos coletivos, sofrerão uma redução”, aposta Annes. O analista do banco Santander, Henrique Navarro, discorda, e defende que saúde é prioridade na mente dos assegurados nesse momento. “Você pode cortar várias coisas, mas saúde costuma ser uma das últimas porque a pessoa que já está na iminência de perder seu emprego tende a olhar a saúde como o último porto seguro, em que ela pode se ancorar e não ter um problema mais grave pela frente. Os problemas de saúde são aqueles que podem quebrar uma família”, acentua.
Analisando o cenário geral, Iago Whately visualiza desenvolvimento para o setor e acredita que capturarão o crescimento do mercado. “Empresas capitalizadas, com marcas fortes e com presença diversificada, tanto do ponto de vista do ramo de atuação em seguros, quanto da abrangência regional”. Diante disso, a InvestMais resolveu colocar em discussão as ações de duas das grandes empresas do setor privado, a Porto Seguro e a SulAmérica. Enquanto a primeira atingiu, ano passado, lucro líquido de R$290,2 milhões, a SulAmérica comemorou novo recorde histórico, comemorando lucro líquido de R$415,9 milhões.
Para o analista Henrique Navarro, o momento está propício para investir em ambas. “Essas duas empresas, em termos de preço, estão baratas e isso significa que não existe muito espaço para baixo”, aponta. Os rumores de possíveis fusões e aquisições também são destacados pelo profissional do Santander como vantagens futuras a serem consideradas. “Está havendo uma consolidação na indústria financeira, você pode ver um movimento de Banco do Brasil com Nossa Caixa, do Itaú com o Unibanco, do Banco do Brasil com Votorantim, e essa consolidação está acontecendo também, de uma maneira mais silenciosa, na indústria de seguros. Então, tanto Porto Seguro quanto SulAmérica podem se beneficiar de duas maneiras: ou como alvo ou como adquirente”, explica.
Descubra quem é quem no mercado de seguros:
Porto Seguro |
SulAmérica |
|
A Porto Seguro está entre as principais seguradoras do Brasil. Atuante nesse mercado desde 1945, oferece por meio de suas subsidiárias diretas e indiretas (Porto Seguro Companhia de Seguros Gerais, Porto Seguro Saúde, Porto Seguro Vida, Porto Seguro Uruguay e Azul Seguros) ampla gama de produtos de seguro: automóvel, saúde, empresarial, vida e previdência, patrimonial e transportes. É líder no segmento de seguro de automóveis e terceira no ranking de saúde empresarial, suas duas principais linhas de produto. |
A SulAmérica é o maior grupo segurador independente do Brasil e opera em diversos ramos de seguros, com destaque para as carteiras de automóveis, saúde e de planos administrados. Atua no setor de seguros brasileiro desde 1895. Segundo dados da Susep e dos registros da companhia, datados no fim do ano passado, a SulAmérica é a segunda maior seguradora em prêmios de automóveis e saúde, além de ser a segunda maior entidade independente em volume de reservas no que se refere ao segmento de previdência. É, também, a terceira maior entre as seguradoras de vida independentes. |
|
Missão |
Missão
|
|
Valores
|
Valores
|
|
Vantagens competitivas
|
Vantagens competitivas
|
|
Estratégia Continuar a expansão em seu principal mercado. A companhia é líder no segmento do mercado de seguros, que é o seguro de automóvel. Atua nos principais mercados do País, que estão nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e continuará sua expansão nesses e em outros mercados brasileiros. Expandir geograficamente. A Porto Seguro pretende continuar a tirar proveito de seu profundo conhecimento do mercado de seguro de automóvel, do forte reconhecimento de sua marca e da reputação de seus serviços para obter maior penetração de seus negócios em cidades de pequeno e médio porte, com potencial lucrativo em todo Brasil. Fortalecer seu relacionamento com corretores. A companhia comercializa a maior parte de seus produtos através de cerca de 19 mil corretores e acredita que o bom relacionamento com eles gera importante vantagem competitiva. Manter sua reputação junto a seus clientes. A companhia pretende manter e fortalecer o valor de prestar bons serviços e superar expectativas e, para isso, pretende continuar a investir em novos e melhores serviços agregados que a destaquem da concorrência.
|
Estratégia
|
|
Fonte: www.portoseguro.com.br |
Fonte: www.sulamerica.com.br |
Antes de decidir entre uma ou outra, vale lembrar que Porto Seguro e SulAmérica pertencem a diferentes critérios de exigência da Bovespa. A primeira, está enquadrada em Novo Mercado, enquanto a SulAmérica faz parte da classificação Nível 2. “Isso influencia pouco, mas é um ponto a favor da Porto Seguro em relação a SulAmérica porque o Novo Mercado tem um maior nível de transparência e de respeito aos interesses dos acionistas minoritários”, opina Whately.
Henrique Navarro, entretanto, não vê isso como empecilho. “A SulAmérica, embora seja Nível 2, garante 100% de tag along para os minoritários. Isso colocaria as duas em um mesmo par de negociação”, assegura. O que pesa, segundo ele, “É que a Porto Seguro tem um tipo único de ações, que são as ON, e a SulAmérica possui uma estrutura que se chama units, onde cada unit é formada por uma ON e duas PNs. Essa estrutura, não que seja um peso ou algo maior, mas ela não é tão clara e limpa quanto seria uma estrutura apenas de ON”, acrescenta. Navarro analisa ainda que, se as duas empresas fossem exatamente idênticas, a SulAmérica deveria dar um ligeiro desconto em relação a Porto Seguro devido a essa estrutura. “Mas existem outros fatores que acabam invertendo essa situação de uma maneira bem mais favorável para a SulAmérica”, revela.
Confronto
Para Navarro, as duas seguradoras têm diferentes focos de mercado que devem ser considerados na hora de optar por uma ou outra. “A Porto Seguro é basicamente uma empresa de seguro de veículos, esse é o forte dela, enquanto a SulAmérica é basicamente de saúde”, sinaliza. Ele acredita no crescimento dos dois setores, mas vê a saúde como um fator mais prioritário para os brasileiros que o de seguro de carro.
Outro motivo que leva o analista do Santander a olhar com bons olhos as ações da SulAmérica é o preço que, segundo ele, está bem mais barato que o da Porto Seguro. “Essa é uma razão pela qual hoje aconselho as duas empresas, mas recomendo ainda mais a SulAmérica. O fato de ela ser focada em seguro saúde ajuda, mas, o principal motivo pelo qual indicaria a SulAmérica é porque ela está mais barata”.
O banco Fator segue recomendação de compra semelhante. “A recomendação da SulAmérica é diferente da Porto Seguro por achar que ela está mais adequada para capturar esse crescimento do mercado de seguros no Brasil. Ela é mais diversificada, com maior alcance tanto do ponto de vista regional quanto de segmentos de seguro. Além disso, as units da SulAmérica têm sido negociadas com desconto bastante significativo em relação às ações da Porto Seguro”, analisa Whately.
A preferência manifestada pela SulAmérica não sinaliza, entretanto, que a Porto Seguro deva ser esquecida ou revendida pelos que já possuem suas ações. “Clientes que desejam diversificar a carteira também podem tê-la como uma boa opção”, aconselha Whately. “A Porto Seguro é uma excelente empresa, que além de ser muito bem administrada, tem um diferencial competitivo em relação às outras seguradoras de carros. Ela consegue ofertar um seguro automóvel superior a dos competidores e, com isso, manter uma rentabilidade acima das outras companhias desse segmento. Ela tem uma vantagem competitiva”, finaliza.
|
|
Receita (R$ mil) |
Ebitda (R$ mil) |
Lucro líquido (R$ mil) |
||||||
|
|
2008 |
2007 |
VaR % |
4T08 |
4T07 |
VaR % |
4T08 |
4T07 |
VaR % |
|
Porto Seguro |
5.871.345 |
5.043.355 |
16,4%
|
467.143 |
703.546 |
-33,6% |
290.175 |
419.939 |
-30,9% |
|
Sul América |
7.723.200
|
7.005.400
|
10,2% |
805.400 |
676.200 |
19,1% |
415.900 |
321.500 |
29,4% |
|
|
Porto Seguro (ON) |
SulAmérica (unit) |
|
Oscilação em 12 meses (%) |
-32,72% |
-15,86% |
|
Máxima em 12 meses |
R$19,85 |
R$33,42 |
|
Mínima em 12 meses |
R$9,20 |
R$12,31 |
|
Retorno em dividendos |
2,43% |
0,00% |
|
P/L |
12,91 anos |
|
|
Valor de mercado (em mil) |
R$2.809.232 |
R$1.867.805 |
|
Observação |
Valores de 3 de abril de 2009 |
|
Autor(a): Larissa Moutinho
Destinatario:
Nome:Seus Dados:
Nome:Comentário
Nome:Lista de materias para Confronto
Site do mês |
( 1467 ) |
Confronto |
( 1302 ) |
Como funciona |
( 1188 ) |
Como funciona |
( 14 ) |
Site do mês |
( 9 ) |
Coluna |
( 4 ) |
Como funciona |
( 53 ) |
Como funciona |
( 12 ) |
Como funciona |
( 10 ) |