Em meados de 2008, as discussões sobre os efeitos da crise, que foi desencadeada pela crise imobiliária nos Estados Unidos, já acenavam claramente para uma mudança nos rumos da economia mundial e brasileira. Com a quebradeira dos bancos norte-americanos e a demora do governo George W. Bush para tomar as medidas cabíveis, a crise econômica se alastrou.
A desvalorização do real, de 15% a 18% no ano passado, fez piorar as projeções de inflação ao consumidor e ao atacado, principalmente para 2009.
Do mesmo modo que o enfraquecimento do real perante o dólar e a restrição do crédito acarretaram a redução de investimentos nas grandes e médias empresas, o efeito negativo da restrição ao crédito foi imediato, além de ter causado a desaceleração do investimento privado, fato que se repete no início de 2009.
Para isso, o Banco Central deve injetar durante este ano mais de R$160 bilhões na economia. Tudo para não faltar crédito. A principal meta do governo federal é manter o consumo, a produção e os empréstimos entre os bancos. A economia não pode parar.
Por que olhar para os bancos médios?
Com a redução natural da oferta de crédito por parte das grandes instituições para determinadas empresas, abriu o mercado para bancos menores e mais ágeis. Para alguns analistas, os bancos médios têm importante papel na crise, pois chegam aonde os grandes não possuem penetração. E é aí que os quatro maiores concorrentes privados (compra do banco Real pelo Santander, da fusão Itaú–Unibanco e a compra da Nossa Caixa e Banco Votorantim pelo Banco do Brasil) abrem espaço para instituições como Bicbanco e Banco Pine.
Garimpar boas oportunidades no momento correto é como buscar grandes tesouros. É claro que vale a pena prestar mais atenção, estudar melhor e saber um pouco mais sobre cada instituição. Quem são os credores delas? Em quais nichos de mercado atuam? Será que seus clientes serão afetados diretamente pela freada econômica? É possível dizer que os bancos médios são um bom investimento a médio e longo prazos?
Surgimento do Bicbanco – Nasceu como cooperativa de crédito e completa, em 2009, 71 anos. Fundado em 1938 com o nome de Cooperativa de Crédito do Joazeiro, iniciou incentivando os primeiros negócios no sul do Ceará. Em 1944, expande as oportunidades para os produtores cooperados e colabora com o desenvolvimento da cidade de Juazeiro do Norte, tornando-se o Banco do Juazeiro.
Os negócios crescem e, em 1957, a matriarca da família Bezerra de Menezes, dona Maria Amélia, assume a presidência – tornando-se a primeira mulher a ocupar esse cargo em um banco no Brasil.
Em 1972, o Banco do Juazeiro compra o Banco do Cariri, criando o Banco Industrial do Cariri. Não demora muito e ocorre a primeira mudança de sede – de Juazeiro do Norte para Fortaleza. O banco altera a razão social para Banco Industrial do Ceará (BIC).
Em 1981, o BIC inaugura sua primeira agência em São Paulo e altera pela última vez sua razão social para Banco Industrial e Comercial S.A. No fim dos anos 80, passa a atuar como um dos primeiros bancos múltiplos do País e cria as coligadas BIC Corretora de Câmbio, BIC Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e BIC Arrendamento Mercantil.
No início dos anos 90, a instituição ocupa lugar de destaque, aumentando sua base de clientes, ampliando o foco em middle market. Em 1995, o Bicbanco transfere sua matriz para São Paulo, implanta a área internacional e, no ano seguinte, José Bezerra de Menezes assume a presidência do banco, a terceira geração da família.
Em 2002, o Bicbanco inaugura sua sede na avenida paulista e a atuação internacional se fortalece com a abertura da primeira agência no exterior, nas Ilhas Cayman. Em 2004, ultrapassa a cifra de R$100 milhões de lucro líquido e, no ano seguinte, é eleito como o melhor banco em middle market no Brasil, eleição promovida pela Fundação Getulio Vargas. Em 2006, foi considerado o primeiro Banco médio do Brasil a realizar uma operação de dívida subordinada com a captação de US$120 milhões no prazo de dez anos.
Sem operar no varejo nem fazer muito alarde, o Bicbanco cresceu a ponto de se tornar o sexto maior banco nacional de capital privado. Nos últimos quatro anos, seus ativos aumentaram 142%, chegando a R$13,2 bilhões. Destes, 74% são operações de crédito. O patrimônio líquido triplicou em dois anos, para R$1,7 bilhão, e o lucro líquido quadruplicou, para R$300 milhões até setembro de 2008. A abertura de capital do Bicbanco aconteceu em 2007, com a emissão de R$907 milhões em ações.
A despeito da crise de liquidez internacional, o Bicbanco obteve, no terceiro trimestre de 2008, lucro de R$103,6 milhões. O resultado é mais que o dobro do verificado no mesmo período no ano passado, quando obtivera R$50,3 milhões. Já na comparação com o segundo trimestre de 2008, o resultado quase não foi alterado – caiu 1%. Nos primeiros noves meses do ano passado, o lucro líquido foi de R$300,2 milhões. Uma evolução de 128,3% sobre igual período de 2007.
Segundo a agência de classificação de riscos Standard & Poor’s, a estratégia do Bicbanco é “clara, focada e consistente”. Empresa familiar, sob o comando da terceira geração da família Bezerra de Menezes, o modelo de gestão combina a presença constante do dono com a de executivos profissionais. Na maioria das vezes, os proprietários das médias companhias são os interlocutores do banqueiro, o que traz vantagens no relacionamento em comparação ao atendimento oferecido pelos grandes bancos.
Total de colaboradores: 924
Agências: 40 nas principais cidades do País
Missão
Desenvolver uma atividade financeira que, ao mesmo tempo e de forma integrada, maximize o retorno dos acionistas, garanta um crescimento consistente e sadio da instituição e valorize a comunidade em que ela está inserida.
Distribuição de lucros e dividendos aos acionistas
Em reunião do Conselho de Administração, ocorrida em 11 de setembro de 2008, foi aprovada a distribuição de juros sobre capital próprio referente ao resultado do 3T08, no montante de R$23,9 milhões, e dividendos intermediários, no montante de R$31 milhões. Os proventos foram pagos no dia 10 de outubro de 2008, sendo R$0,0878 o valor bruto por ação.
Especulação envolvendo o BicBanco
“A crise funciona como uma ida ao spa. A gente perde alguns quilos e volta com mais disposição e energia”, compara o presidente Menezes a revista Istoé Dinheiro.
A reação dos concorrentes do Itaú Unibanco pode passar pelos bancos de médio porte. A grande expectativa do mercado é em relação ao Bradesco, que “brigou” com o Itaú e não deixará barata a queda para a segunda colocação entre os bancos privados. Há rumores no mercado que o Bradesco analisa a compra de outras instituições, entre elas o BicBanco, com quem já manteve conversas.
Segundo uma fonte próxima ao banco, ouvida pela Agência Estado, a proposta foi feita, mas não houve acordo.
De acordo com essa fonte, as duas instituições conversam há alguns meses, mas não existe avanço, porque o Bradesco quer pagar o valor de mercado do Bicbanco, o que não foi aceito pelos controladores. O valor de mercado do Bicbanco gira em torno de R$1,28 bilhão com as valorizações dos últimos pregões, quando o assunto da possível sondagem do Bradesco já era comentado entre operadores. O preço de mercado da instituição financeira chegou a R$693,262 milhões, em outubro de 2008, bem distante dos R$3,319 bilhões do mês em que fez a Oferta Pública Inicial de ações, há um ano.
O Bicbanco tinha, no fim do terceiro trimestre de 2008, R$13,186 bilhões em ativos, ou seja, mesmo com essa compra, o Bradesco ficaria distante da liderança, já que pelos dados de setembro de 2008 a diferença com Itaú Unibanco era de R$138 bilhões.
Pontos positivos e negativos
+ Focada e uma estratégia bem-sucedida para o segmento de mercado médio.
+ Experiência e agilidade na tomada de decisões e concessão de crédito.
+ Forte capitalização após a IPO.
- Desafio para constituir e manter uma estrutura de captação diversificada e estável.
- Precisa diversificar e aumentar o financiamento básico.
Bicbanco:
Cotação do dia 12/02/2009 – 3,80
Indicadores fundamentalistas
P/L 2,91 LPA 1,30
P/VP 0,60 VPA 6,38
Div. Yield 16% ROE 20,5%
Dados Balanço Patrimonial em R$
Ativo 13.186.700.000 Dív. Bruta 0
Disponibilidades 196.439.000 Dív. Líquida 0
Ativo Circulante 10.901.200.000 Patrimônio Líquido 1.714.660.000
Dados Demonstrativos e Resultados em mil R$
Últimos 12 meses Últimos 3 meses
Receita Líquida – 817.657 Receita Líquida – 252.717
Ebit – 462.585 Ebit – 169.834
Lucro Líquido – 350.673 Lucro Líquido – 103.640
Bicbanco – Banco Industrial e Comercial S.A.
Códigos de Negociação: BICB3 e BICB4
CNPJ: 07.450.604/0001-89
Origem do Banco Pine – O histórico dos fundadores do Banco Pine começou quase no ano do Bicbanco, em 1939, e também germinou em terras cearenses, quando a família Pinheiro funda, de Fortaleza, seu primeiro banco no Brasil como um banco de varejo. Mais de três décadas passaram e, em 1975, Noberto Pinheiro se torna um dos controladores acionários do Banco Mercantil do Ceará.
Em 1980, prepara a mudança da sede para São Paulo a fim de fazer parte do maior mercado financeiro do País. Com a expansão, o banco passou a focar seu atendimento na pessoa jurídica, posicionando-se como banco de atacado. Muda também a marca, mas mantém a sigla – de Banco Mercantil do Ceará para Banco Mercantil de Crédito.
O BMC inicia na década de 90 uma ampla reestruturação, processo envolveu a revisão de sua estratégia, privilegiando a atuação nos nichos de operações de crédito às empresas de médio e grande porte com garantia de recebíveis. Por outro lado, a instituição ingressa no mercado de financiamento ao consumo, com empréstimos consignados e convênios com órgãos públicos.
Em 1997, Noberto e Nelson Pinheiro vendem suas participações do BMC para o Bradesco e fundam o Banco Pine.
Banco Pine nasce sob o controle da família Pinheiro e com um volume de ativos no valor de R$4,7 bilhões, em setembro de 2008. O Pine se especializa na concessão de empréstimos com garantia às empresas de médio porte e de empréstimos consignados a aposentados e funcionários públicos. Através também de outros produtos para diversificar suas operações, como: linhas de repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fianças para grandes corporações e financiamento à exportação (curto prazo). Os indicadores de qualidade de ativos do Banco Pine são bons, fruto também da expectativa do mercado sobre um possível aumento na participação dos empréstimos consignados em seu balanço patrimonial.
Sua estrutura operacional é ágil, o que propicia crescimento rápido mediante condições macroeconômicas favoráveis e flexibilidade em períodos de estresse.
O Banco Pine tem sido bem-sucedido na obtenção de fontes alternativas de fundos desde 2005. Além dos depósitos tradicionais, também conseguiu obter recursos se utilizando dos Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) e de emissões de dívidas no mercado externo. Os atraentes empréstimos consignados também são um chamariz ao vender parte da sua carteira de crédito desse segmento.
Em abril de 2007, o Pine foi o primeiro banco de médio porte a negociar suas ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), levantando R$517 milhões com a emissão de ações preferenciais. A abertura de capital aconteceu de forma natural, uma vez que o Banco possuía as melhores práticas de governança corporativa, mesmo quando era uma empresa de capital fechado.
No terceiro trimestre de 2008, o Banco Pine fechou com lucro líquido de R$33,4 milhões, o que representa uma queda de 25% em relação ao ganho obtido no mesmo período do ano passado, de R$44,7 milhões. O resultado bruto da intermediação financeira recuou 21%, na mesma comparação, para R$103,3 milhões.
Diante da incerteza dos agentes sobre a saúde financeira dos bancos de menor porte, o Pine dedica um bom espaço de sua apresentação de resultados para assegurar o adequado casamento de prazos entre ativos e passivos e também sua posição de liquidez.
Do total de captações, 27,4% vencem em até três meses e 28,9% entre três meses e um ano. Do lado do crédito, 29% das operações vencem em até 90 dias e 37,2% entre três meses e um ano. A instituição revelou ainda que, no fim de setembro, sua posição de caixa disponível era o equivalente a 33% do total de depósitos a prazo na mesma data. Ela não informa, no entanto, como esse índice se comportou em outubro.
Na análise de 12 meses até setembro, os depósitos totais do banco aumentaram 27,6% para R$2,147 bilhões. Mas, se comparado a junho, houve uma queda de 8,7%. Esse recuo foi compensado por outras formas de funding (consolidação financeira das dívidas de curto prazo em um prazo adequado à maturação do investimento e sua amortização), fazendo com que a captação total do banco – excluindo cessão de carteira – tenha ficado praticamente estável entre junho e setembro (+0,8%), para R$3,277 bilhões.
Na área de cessão de crédito, houve um recuo de 2% no saldo de operações no terceiro trimestre, para R$1,005 bilhão. Segundo o banco, isso ocorreu devido à decisão de reduzir as operações de crédito consignado.
A redução ocorreu devido à estratégia do Pine de concentrar suas operações de crédito para empresas. Mesmo assim, diante da postura conservadora da instituição nos últimos meses, a carteira de crédito para companhias ficou estável em R$3,53 bilhões entre junho e setembro de 2008, apesar de ter mostrado crescimento de 40,4% na comparação em 12 meses.
Total de colaboradores: 372
Agências: 14 em todo o Brasil
Missão
Desenvolver e disponibilizar produtos e soluções financeiras adequadas às necessidades dos clientes, com agilidade, criatividade, segurança e transparência.
Distribuição de Lucros e Dividendos
Em 30 de setembro de 2008, o Conselho de Administração do Banco Pine aprovou o pagamento de Juros sobre Capital Próprio referentes ao terceiro trimestre de 2008. Em 13 de outubro, foi pago o valor bruto total de R$12,6 milhões, sendo R$0,145696 o valor bruto por ação.
Pontos positivos e negativos
+ Administração adequada de risco de crédito, principalmente no segmento de middle market.
+ Gerenciamento de liquidez conservador.
+ Melhora na captação de recursos e no nível de capitalização com a IPO bem-sucedida.
- Porte relativamente pequeno para operar em um ambiente competitivo.
- Desafio para constituir e manter uma estrutura de captação diversificada e estável.
- Ainda apresenta uma relativa concentração de ativos e passivos.
Banco Pine:
Cotação do dia 12/02/2009 – 5,25
Indicadores fundamentalistas
P/L 2,86 LPA 1,84
P/VP 0,55 VPA 9,60
Div. Yield 13,1% ROE 19,1%
Dados Balanço Patrimonial em R$
Ativo 4.741.050.000 Dív. Bruta 0
Disponibilidades 18.002.000 Dív. Líquida 0
Ativo Circulante 3.633.610.000 Patrimônio Líquido 830.791.000
Dados Demonstrativos e Resultados em mil R$
Últimos 12 meses Últimos 3 meses
Receita Líquida – 498.115 Receita Líquida – 112.366
Ebit – 213.471 Ebit – 38.331
Lucro Líquido – 158.856 Lucro Líquido – 33.429
Banco Pine S.A.
Códigos de Negociação: PINE3; PINE4
CNPJ: 62.144.175/0001-20
Qual é o melhor? Bicbanco ou Banco Pine?
Na opinião do analista Anderson Lueders, há um empate técnico na atratividade dos bancos BicBanco e Pine. Os indicadores fundamentalistas P/L (Preço/Lucro), P/VPA (Preço/Valor Patrimonial) estão próximos, com leve vantagem para o Pine. Em contrapartida, o BicBanco tem como vantagem o maior tempo de existência, tendo enfrentado mais situações econômicas adversas, resistindo até os dias atuais.
O empate persiste em diversos outros aspectos, entre os quais:
• Negociam no nível 1 de Governança Corporativa.
• Possuem excelente distribuição de proventos comparativamente às demais companhias listadas em bolsa com base nas cotações atuais praticadas.
• Estão recomprando ações.
• Atuam com foco principal no middle market. Assim, a previsão é que sejam afetados de forma parecida com as mudanças econômicas.
No atual cenário de aperto de crédito e diminuição da atividade empresarial, esse empate técnico pode ser decidido da seguinte forma pelo investidor:
• Verificar, com a divulgação do balanço anual, qual é o impacto que a crise de crédito ocasionou no quarto trimestre no tocante à captação de recursos para empréstimos. O banco que mantiver maior nível de captação de recursos de terceiros poderá crescer com maior facilidade. É claro que, para isso, o custo deverá manter-se adequado. É interessante observar qual deles teve que recorrer menos à venda de carteiras de crédito como fonte de recursos.
• Visualizar qual banco manteve bons índices no controle da inadimplência e qual foi a provisão para devedores duvidosos realizada em razão do provável aumento da inadimplência que ocorre durante as crises econômicas. Alguns bancos fazem provisões para devedores duvidosos superiores às exigidas pelo Banco Central. Isso diminui, no curto prazo, a lucratividade, mas acaba por permitir a ampliação do lucro no futuro ou, ao menos, possibilita que a continuidade do aumento da inadimplência seja parcialmente compensada pela provisão adicional realizada antecipadamente.
“Não é usual utilizar o indicador EBITDA na análise dos bancos. Esse índice pode ser substituído pelo indicador do percentual conforme o vencimento da carteira de crédito (até três meses, seis meses, etc.) e pela qualidade dos empréstimos (nível AA, nível A, nível B, etc...)”, ressalta Luerdes.
Visite os sites:
www.bancopine.com.br
www.bicbanco.com.br
www.fundamentus.com.br
http://smallcaps.blogs.advfn.com/
Autor(a): Francisco Tramujas Jr
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