O consultor financeiro Christian Cayre entrou no mercado em 1988 com a intenção de diversificar seus investimentos, pois até então só investia em fundos de renda fixa. Em 1999, assustado com a volatilidade causada pela crise monetária que afetou o Brasil, decidiu sair da Bolsa e apostar nos títulos públicos. No entanto, em 2001, voltou e nunca mais saiu. Tornou-se um entusiasta e aficcionado pelo mercado de ações. Tanto que, desde o início de 2007, mantém o blog chrinvestor.com, que recebe, em média, 50 mil acessos mensais. Em conversa com a InvestMais, Cayre revela os critérios que usa para investir e dá dicas para você que está preocupado com a crise.
Você se considera um investidor conservador, moderado ou arrojado?
Moderado. A minha carteira é composta de empresas sólidas e com uma administração reconhecidamente qualificada. Possuo um horizonte de investimento de longo prazo, mas também opero uma parte do meu capital em mercados derivativos e futuros, que são mais alavancados.
Qual é a porcentagem de suas reservas totais que está investida na Bolsa?
Invisto algo em torno de 30% das minhas reservas no mercado financeiro. No entanto, como possuo uma administração ativa da minha carteira, esse percentual pode flutuar um pouco.
O seu projeto de investimento é de curto, médio ou longo prazo?
80% da minha carteira têm um horizonte de investimento de longo prazo (acima de cinco anos). Os outros 20%, eu especulo no mercado, fazendo operações mais curtas e até day-trade.
O grosso da rentabilidade advém do investimento a longo prazo. Com as operações especulativas, procuro maximizar os ganhos e me proteger em períodos de forte volatilidade (usando derivativos e futuros) como o atual.
Como escolhe as empresas em que vai investir? O que você analisa?
Antes de qualquer coisa, preciso entender o negócio da companhia. Às vezes, perco oportunidades simplesmente por não conhecer a fundo o segmento de mercado que ela atua. Definida a instituição, analiso os múltiplos, os balanços e procuro traçar cenários para o futuro. Gosto de fazer compras em lotes. Para isso, a análise técnica me ajuda a identificar o timing correto para cada compra.
Você possui alguma “lista” do que as empresas têm de ter ou não para você investir nelas?
Não tenho nenhuma restrição, mas prefiro companhias que estão ligadas a setores em que o Brasil possui diferenciais competitivos, como: indústria de minério, petróleo e alimentos.
O que você faz quando uma ação que você comprou começa a cair consideravelmente?
Caso perceba que a queda não se deve a uma deterioração dos resultados da empresa ou a um problema competitivo no segmento em que atua, aproveito a oportunidade para aumentar minha participação. Normalmente, movimentos bruscos e inesperados provocam o chamado “efeito manada”. Esse processo psicológico proporciona aos investidores que possuem um horizonte de mais longo prazo uma oportunidade ímpar. Se a queda for fruto de uma alteração negativa no negócio da companhia, então prefiro encerrar minha posição.
Desde quando começou a investir até a data desta entrevista, você está com saldo positivo ou negativo? Pode dizer quanto, em porcentagem?
A Bolsa brasileira, desde 2002 até meados do ano passado, apresentou ganhos fabulosos. Não era difícil obter uma boa rentabilidade. Agora, com o agravamento da crise, o investidor precisa estar mais atento para que não incorra em perdas financeiras desnecessárias. Até o momento, o saldo é positivo, mas assim como todos no mercado também tive perdas diante da atual crise.
Você tem um objetivo/meta para seus investimentos (x% no mês ou ano, duplicar o investimento em um ano, etc.)?
Procuro ser bastante realista. Como não me considero um investidor agressivo, incorrendo em riscos exagerados, tenho como objetivo no longo prazo possuir uma rentabilidade de três vezes aquilo que conseguiria em um investimento “livre” de risco – como os títulos públicos federais.
Qual é o seu conselho para os novos investidores que ainda não passaram por nenhuma grande crise?
É difícil algum investidor, por mais experiente que seja, conseguir se manter completamente tranqüilo num momento como esse. Mas o importante é tentar seguir o plano traçado e ter um olhar bastante crítico em relação às notícias que são veiculadas. O mercado é cíclico. Se você possui um horizonte de longo prazo, aproveite os períodos de estresse do mercado para começar a formar uma carteira de boas empresas.
Quais são os comportamentos que podemos esperar do mercado em 2009? Em que o investidor deve ficar atento?
Para o Brasil, o mais importante é verificarmos com que intensidade ocorrerá a desaceleração do crescimento mundial. Uma boa parte da Bolsa brasileira é composta de empresas exportadoras. Um desaquecimento, principalmente da China, pode afetar a demanda por produtos dessas companhias. Acredito que em 2009 o mercado ainda estará bastante volátil, começando a melhorar em 2010.
Que estratégia pretende adotar para ter bons resultados em 2009?
Para meu horizonte de longo prazo, acredito que, assim como ocorreu nos últimos meses, em 2009 a volatilidade deve distorcer os preços de muitos ativos, criando boas oportunidades de compras. É importante lembrar que as compras devem ser de forma paulatina. A intenção não é acertar a mínima do ativo no movimento de queda, mas possuir um preço médio de compra vantajoso quando o mercado voltar a subir.
Você investe em IPOs? Por quê?
Já investi, mas confesso não gostar. O boom de IPOs que a Bolsa brasileira apresentou recentemente provocava distorções gritantes nos preços de lançamento. Algumas empresas estreavam na Bolsa com múltiplos gritantes e irreais. Tanto que agora, com a saída do capital estrangeiro, os ajustes estão ocorrendo.
Prefere as small caps ou blue chips? Por quê?
Prefiro empresas com uma boa governança corporativa, lucrativas, eficientes e com uma boa administração. Não tenho nenhuma restrição quanto ao tamanho da companhia na Bolsa de Valores. Sempre, é claro, respeitando critérios mínimos de liquidez.
Composição da carteira
VALE5 35%
PETR4 15%
LAME4 6%
CSNA3 5%
BRML3 5%
BVMF3 3%
Visite o site: www.chrinvestor.com
Autor(a): DA REDAÇÃO
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