São poucos os que têm coragem de manter 100% de suas reservas em bolsa. Até mesmo a maioria dos especialistas vê isso como um risco eminente que não deve ser seguido. No entanto, o idealizador do site YouTrade, Marcelo Coutinho, aposta nessa estratégia para vencer. Coutinho é engenheiro eletrônico com especialização em telecomunicações. É MBA executivo pelo Ibmec de São Paulo e pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Ele criou o site com a intenção de difundir os conceitos da análise técnica e promover a educação financeira através de cursos na área. Confira o que ele tem a dizer sobre sua ousada metodologia de investimento:
Desde quando você está no mercado de análise técnica?
Entrei nessa área, em 2005, por acidente. Um ex-colega de trabalho me perguntou se eu conhecia a bolsa de valores e, como eu era absolutamente acéfalo, resolvi aceitar um convite para um café. Depois de cinco horas de discussão, estava matriculado em um curso de análise técnica.
Por que você decidiu investir na bolsa?
Foi logo depois da conversa. Eu tinha um dinheiro “parado” na poupança e resolvi ganhar mais, já que quando se fala sobre bolsa, os lucros são sempre convidativos. Fui seduzido pela conversa e pelas possibilidades do mercado.
Dos eventos que você presenciou ao longo do tempo, quais foram os que mais marcaram sua vida como investidor? Por quê?
O meu primeiro trade foi TNLPG40. O assessor achou que eu era “um cara” muito agitado e esse lance de ações demorava muito. Com R$50 mil na corretora, girava cem “quilos” de opções por dia alavancadíssimos no day-trade (compra e venda) e deixava quase R$2 mil de corretagem por mês na corretora. Assim foi o meu “debut” como day-trader para quem tinha recém iniciado no mercado. Como digo nos meus workshops do YouTrade, eu operava com a “sonda” ligada. O outro evento foi a minha primeira perda: com um mês de mercado, fui fazer uma trava de baixa para proteger, como estava absolutamente alavancado e dada à absoluta falta de experiência, a trava foi feita de forma incorreta. No fim de tudo isso, a Telemar explodiu assim como meus ganhos, nunca perdi tanto dinheiro tão rápido. O pior é que a perda foi em uma sexta-feira e como opções é D+1, tive de passar um fim de semana infernal até ser zerado na segunda-feira.
Você se considera um investidor conservador, moderado ou arrojado?
Eu me considero um investidor arrojado. Atualmente, depois de estudar bastante, minhas operações são feitas com ações, opções e índices (ou uma combinação entre elas). Uso todas as ferramentas disponíveis para investimentos e escolho cada uma dependendo da estratégia ou cenário atual.
Quantos por cento das suas reservas totais estão investidas na bolsa?
Investi 100% de minhas reservas totais.
O seu projeto de investimento é de curto, médio ou longo prazo?
De longo prazo. Geralmente, uso trades de curto prazo para remunerar a carteira. Para se ganhar dinheiro na bolsa, tem de ser a longo prazo. Ninguém suporta “matar um leão todo dia” durante muito tempo. Eu fiz isso e é muito difícil.
Quais são seus objetivos ao investir?
Quando comecei, meu principal objetivo era o dinheiro, queria ficar rico. Depois de montar um capital bom, isso mudou. Atualmente, minha meta é estar no “game”, acertar e desenvolver estratégias e/ou técnicas que me permitam ganhar dinheiro. As técnicas que ensino foram desenvolvidas por mim (Fibonacci de sete segmentos, delta trade, stop de volatilidade, boletagem de Fibonacci, entre outras). Nos dias atuais, quando sento no terminal, coloco minhas técnicas no “stress test,” sempre buscando uma falha ou ponto de melhoria, tenho de preparar o livro.
Em sua opinião, atualmente, qual é a maior falha dos investidores?
O investidor não se prepara. Ele simplesmente pega CPF, RG e comprovante de residência, abre uma conta e vai para o mercado. Imagina um cirurgião neurologista com curso técnico. É mais ou menos assim. O investidor dá uma “lidinha”, assiste a uns DVDs, lê alguns livros e vai para o game. Ele não aprende a operar vendido, não sabe usar o stop, não sabe o que é margem e estratégia (confunde análise técnica com estratégia) e, consequentemente, perde dinheiro.
Como você escolhe as empresas nas quais pretende investir? O que você analisa?
Escolho as companhias graficamente. Para mim, VALE5, DURA4 e WEGE3 são a mesma coisa na ótica de compra e venda. Se estiver com pivot de alta, analiso qual melhor o risco/retorno e compro. Não podemos ter preconceito com papel.
O que você faz quando uma ação que comprou começa a cair consistentemente?
Cerca de 100% da minha carteira tem stop. Diariamente, reviso minhas estratégias e, se vejo que realmente serei “stopado”, saio antes. Caso os candles me mostrem que existe a possibilidade de “bouncing de alta” (reversão de tendência), compro a briga e permaneço.
Você tem algum objetivo ou meta para seus investimentos (x% ao mês ou ao ano; duplicar o investimento em um ano, etc.)?
Não, ganho o que o mercado deixa ganhar. A bolsa não é mercado de renda fixa. Minha rentabilidade é baseada no Índice Bovespa (Ibov) – 85% do Ibov, 120% do Ibov –, entre outros.
Qual o segredo para manter-se tranquilo nesse momento de crise?
Estudar, saber o que está fazendo, conhecer as ferramentas para operar, ter estratégias e não deixar-se influenciar pelos outros ou por notícias.
Que corretora(as) você utiliza?
Utilizo a Um Investimentos e Link Investimentos.
Você investe em IPOs? Por quê?
Nunca investi em IPO, elas são como uma caixa preta, pois pode acontecer qualquer coisa. Você acaba correndo um risco desnecessário. Para mim, é preciso ter formação gráfica significativa, caso contrário, não aplico.
Colaboração: João Guilherme Brotto
Visite o site: www.youtrade.pro.br
Autor(a): Francisco Tramujas
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