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01/03/2009

Diogo Bersuc

Um estudante que superou dificuldades para permanecer na Bolsa

Diogo Bersuc de Oliveira tem 25 anos, é estudante de administração de empresas e, desde 2005, trabalha como agente autônomo de investimentos. No início de suas operações na Bolsa, passou por diversas situações complicadas devido ao fato de, na época, ter entrado no mercado com pouco conhecimento sobre o assunto. A dificuldade foi tamanha que fez com que o novo investidor buscasse uma saída para seu aprendizado e ainda colaborasse com o de outros. Então, criou o MercadoTV – site de videoaulas voltado para a área de investimentos na Bolsa. Em entrevista à InvestMais, Diogo conta quais foram suas dificuldades, o que fez para superá-las e como vão seus investimentos hoje. Confira!

 

Quando você começou a investir na Bolsa? Por quê?

Em meados de 2005, quando a Bolsa passou a entrar em evidência devido à sua consistência de altas. Eu vi ali uma chance de obter um retorno maior e mais rápido que na renda fixa, além de poder comandar minha própria estratégia.

 

Quando começou a investir, você sentiu alguma dificuldade? Qual?

Muita. Eu me senti como um paraquedista que caiu em um lugar sem saber o que fazer. Sabia o que eram ações e seus conceitos básicos. Mas PN, ON? Qual seria a vantajosa, teria mais volume ou seria menos afetada em momentos turbulentos? Na minha cabeça, apenas a Vale e a Petrobras eram atraentes – e isso devido à mídia focar quase que exclusivamente nessas duas grandes blue chips.

 

O que você fez para superar essas dificuldades?

Procurei cursos e palestras na Bovespa – lá, há diversas palestras gratuitas sobre

o mercado – e entrei em fóruns e chats na internet voltados para o mercado financeiro. Para mim, foram muito úteis, pois foi através deles que aprendi muito mais, afinal, é possível postar uma dúvida específica e ter a resposta. No começo, enquanto aprendia, entrei para um clube de investimentos. Depois de adquirir conhecimento, fui criando minha carteira sozinho.

 

Você se considera um investidor conservador, moderado ou arrojado?

Moderado! Mas há épocas em que posso ser mais arrojado.

 

Qual a porcentagem de suas reservas que estão investidas na Bolsa?

Atualmente, 100%. Apesar da crise atual, não me sinto atraído por investimentos em renda fixa.

 

Como você escolhe as empresas onde investir? Como analisa-os?

Primeiramente, procuro empresas sólidas. A partir do momento que alcanço um percentual das minhas reservas nessas empresas, passo a pulverizar e procurar as “promessas” – companhias que possuem potencial, boa gestão e que, no exato momento, estejam em condições de mercado incoerentes com seu valor. Às vezes, não é possível encontrar essas condições, então volto para as mais sólidas.

 

O que você faz quando uma ação que comprou começa a cair consistentemente?

Aprendi da pior maneira a usar o stop, seja o stop mental ou aquela ferramenta disponível no home broker. Infelizmente, sei que tenho de ser disciplinado para poder continuar meus planejamentos.

 

Com que frequência você verifica suas ações e rentabilidade?

Não há um dia que se passe sem que eu verifique quantos reais a carteira rendeu. Ela representa a evolução da minha estratégia de investimentos. Diariamente, transfiro o valor total em custódia para uma planilha e comparo com outras carteiras sugeridas para ter um benchmark e, assim, identificar aquelas que refletem meu perfil de investimento.

 

Você prefere small caps ou blue chips? Por quê?

Blue chips são os “portos seguros” de qualquer investidor, sempre presentes em custódia. Mas, ultimamente, minha rentabilidade tem como fonte as small caps. Em épocas turbulentas, o mercado troca as small caps pelos portos seguros e, com isso, algumas vezes há uma reação exagerada de venda nesses papéis ao ponto de chegarem a um nível de oferecer um excelente risco x retorno.

 

Quais são as empresas que compõem sua carteira?

Gerdau, Petrobras, Cemig, BM&F Bovespa, Aracruz, Itaúsa, bancos pequenos como Panamericano, Bic banco e os famosos “micos” com excelente risco x retorno que possuem alta rotatividade.

 

Seu projeto de investimento é de curto, médio ou longo prazo?

Longo. Na verdade, é até mais que isso. Não penso em tirar meu dinheiro da Bolsa. Quero meu investimento como uma renda fixa, com uma rentabilidade mensal e um retorno acima de 120% do CDI.

 

Desde quando começou a investir até a data desta entrevista, você está com saldo positivo ou negativo? Pode dizer quanto, em porcentagem?

Se fosse antes da crise, beirava em torno dos 160%. Agora, chega a 75% ou 85%.

 

Você tem um objetivo/meta para seus investimentos?

Até meus 35 anos quero o “efeito bola de neve”, em que todo lucro se converte em ações. A meta por ano de lucro é ter revertido em, no mínimo, 600 ações de qualquer blue chip.

 

Que estratégia pretende adotar para ter bons resultados em 2009?

Para mim, a palavra-chave de 2009 é comprar. Comprar tudo o que for possível, preferencialmente em blue chips, até a meta de 600 ações ser alcançada. A não ser que apareçam as possibilidades de small caps já citadas, com ótimo risco x retorno. Não tenho um caminho certo a ser seguido, e sim uma direção para seguir em frente.

 

Qual foi o maior erro que cometeu em relação a seus investimentos?

Achar que a ação vai voltar sempre ao preço de compra e esquecer que o mercado não se preocupa e desconhece que você, especificamente, está tendo prejuízo com aquela decisão de compra ou venda. Outra estratégia que não costuma funcionar comigo é a de fazer preço médio. Prefiro realizar o prejuízo a me comprometer mais com uma ação.

 

Como você decide o momento ideal de comprar e vender uma ação?

Acompanho as movimentações exageradas do mercado para investimentos de curto prazo ou indicadores econômicos em tempo real para day-trade. Acompanho a onda (de compra ou venda) e sempre elevo meu stop. Dependendo do meu grau de emotividade com a ação, configuro a ferramenta, em vez de mentalizar o ponto de saída. Para longo prazo, não existe ponto ideal, e sim uma compra baseada em fundamentos e oportunidades. Crises podem ser oportunidades de compras.

 

Você tem alguma tática para se manter tranquilo neste momento de crise?

Pra mim, o “stop” não funciona somente como uma ferramenta para a Bolsa, e sim com alto efeito psicológico. Hoje, sei que se todas as ações “virarem pó”, o meu stop me permite sair muito tempo antes, ou seja, se cair, venderei as ações e meu dinheiro não será totalmente perdido.

 

Qual é o seu conselho para novos investidores que ainda não passaram por uma crise?

Alguns olham para a crise como uma oportunidade e outros, como uma ameaça. A economia é feita de ciclos. Procure exercitar o lado racional de suas operações. Não deixe a emoção tomar conta, pois o desespero pode levá-lo a uma decisão impulsiva.


Autor(a): Fabricia Zamataro


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