
Foco em uma aposentadoria precoce para poder curtir a vida e os filhos. Essa é a grande meta do casal de engenheiros curitibanos Marco Aurélio Falcone e Regina Tesima. Donos, atualmente, de uma fortuna estimada em R$1 milhão, a dupla pretende dobrar a quantia em nove anos por meio de diversos tipos de investimentos. Quem conhece o passado do casal, que há 16 anos não tinha nem um centavo guardado, não duvida que eles estão no caminho certo para isso.
Embora deseje inspirar outros casais a conquistar a independência financeira, Marco Aurélio é categórico em dizer que nem todo mundo precisa de R$2 milhões para ser independente. Ele conta que calculou a meta de sua família baseado nas despesas anuais que possui e dividiu esse valor por 4% a fim de saber quanto precisaria para se aposentar aos 49 anos. Oscilações da bolsa, diminuição da taxa Selic e até uma inesperada demissão acrescentaram alguns anos à meta original, que previa uma aposentadoria ainda mais precoce, mas não diminuíram a vontade de chegar lá. Para isso, o casal investe mensalmente boa parte do salário e aprendeu a discriminar e controlar todos os gastos que possuem.
Apesar dos entremeios, em seis anos, Marco e Regina conseguiram transformar um capital de R$100 mil – acumulados durante uma década – em R$1 milhão. Como eles fizeram isso e como pretendem continuar investindo para dobrar a quantia, você confere nesta entrevista exclusiva com Marco Falcone.
Estamos numa faixa de transição entre o moderado e o agressivo. Gostamos de aplicar na bolsa, mas sem esquecer da “maior segurança” fornecida pela renda fixa, pois serve como lastro financeiro e emocional em tempos de crise.
Iniciamos de forma pontual em 2000, com a aquisição de ações da Petrobras – aproveitamos a oportunidade concedida pelo Governo Federal de compra dessas ações com desconto de 20%. Retornamos à bolsa em 2005, adquirindo ações de maneira mais frequente.
Quantos por cento de suas reservas totais estão investidos na bolsa?
Atualmente, possuímos 40% de nossos investimentos em ações.
Você e sua mulher investem sozinhos ou através de clubes de investimento?
Somos autodidatas e preferimos investir sozinhos. Entretanto, sempre que possível discutimos com outros investidores para melhorar nossa análise.
Quais são os outros tipos de investimentos que vocês fazem?
Títulos Públicos (Tesouro Direto), debêntures e Previdência Privada.
Qual foi sua meta quando iniciaram seus investimentos e em quanto tempo pretendem realizá-la?
Nossa meta é ter tempo para cuidar de nossos filhos ou, em outras palavras, ter uma aposentadoria precoce por volta dos 49 anos. Refletimos bastante sobre o quanto seria suficiente para nós e planejamos nossa independência financeira para alcançar cerca de R$2 milhões. Não possuímos esse valor, mas ainda temos nove anos para consegui-lo. Por outro lado, nós nos contentaremos se chegarmos próximos ao valor estipulado.
Como vocês escolhem as empresas em que investem? O que analisam?
Acreditamos que o Brasil é competitivo nos setores de petróleo, minério e siderurgia. Além disso, os setores de bancos e energia elétrica também apresentam um comportamento lucrativo em relação a variável tempo. Começamos com as blue chips e, gradativamente, adicionamos algumas small caps e IPOs, nos distanciando dos setores mencionados. Com a crise americana e, consequentemente, mundial, estamos retornando às blue chips, que apresentam um comportamento mais estável em relação ao Ibovespa.
O que vocês fazem quando as ações que possuem começam a cair? Há um limite de queda aceitável?
Temos pouco tempo de vivência com essa modalidade de investimento. Cerca de quatro anos e algumas surpresas para principiantes: a gripe aviária, a especulação no preço do barril de petróleo e a crise iniciada em 2007. Mesmo sabendo da necessidade de se estipular limites para perdas e ganhos, é muito difícil lidar com o sentimento da esperança – esperança de que o valor investido volte aos patamares anteriores. Você vê sua ação cair e rejeita realizar o prejuízo na crença de que ela logo voltará a subir. Por outro lado, como já disse, trata-se de um investimento que requer conhecimento, calma e experiência. No atual ambiente de volatilidade (variação absurda entre altas e baixas), queremos trabalhar com uma margem aceitável de perda entre 10% e 15%.
Com que frequência você verificam a rentabilidade de suas ações?
Acompanho diariamente a rentabilidade de cada ação e a rentabilidade global da carteira.
Investem em IPOs? Por quê?
Entre 2006 e 2007, na euforia de ganhos fáceis, investimos em vários lançamentos. Mas, agora, estamos mais cautelosos e dando preferência às blue chips.
Desde a data em que começaram a investir até agora, estão com saldo negativo ou positivo? Pode dizer quanto em porcentagem?
Atualmente, estamos com um saldo negativo em torno de 35%, mas ele já foi maior.
Que conselho vocês dariam para as pessoas que ainda não investem, mas têm vontade de começar?
Recomendo cuidado com as propagandas exageradas e não entrem porque “todos estão entrando”. Procurem estudar sobre o assunto, leiam livros da área e comecem com valores pequenos, mas, antes de tudo, façam uma autoanálise para verificar se suportam quedas elevadas e rápidas do valor investido. E nunca apliquem dinheiro que vocês irão precisar nos próximos dois ou três anos.
Vocês já tiveram vontade de sair da bolsa? Por que não o fizeram?
Quando percebemos a queda violenta das ações com a crise, pensamos em sair. Entretanto, já era tarde. A desvalorização da nossa carteira estava em torno dos 60%, então decidimos aguardar. Já havíamos presenciado algo parecido com as ações da Perdigão quando houve a gripe aviária.
Que corretora(s) você utiliza?
Trabalhamos com a Intra desde 2005.
Para saber mais
Livro: Como chegar ao seu primeiro milhão: a história de um casal que já atingiu o seu
Autores: Marco Aurélio Falcone e Regina Tesima
Editora: Campus/Elsevier
Embora deseje inspirar outros casais a conquistar a independência financeira, Marco Aurélio é categórico em dizer que nem todo mundo precisa de R$2 milhões para ser independente. Ele conta que calculou a meta de sua família baseado nas despesas anuais que possui e dividiu esse valor por 4% a fim de saber quanto precisaria para se aposentar aos 49 anos. Oscilações da bolsa, diminuição da taxa Selic e até uma inesperada demissão acrescentaram alguns anos à meta original, que previa uma aposentadoria ainda mais precoce, mas não diminuíram a vontade de chegar lá. Para isso, o casal investe mensalmente boa parte do salário e aprendeu a discriminar e controlar todos os gastos que possuem.
Apesar dos entremeios, em seis anos, Marco e Regina conseguiram transformar um capital de R$100 mil – acumulados durante uma década – em R$1 milhão. Como eles fizeram isso e como pretendem continuar investindo para dobrar a quantia, você confere nesta entrevista exclusiva com Marco Falcone.
Estamos numa faixa de transição entre o moderado e o agressivo. Gostamos de aplicar na bolsa, mas sem esquecer da “maior segurança” fornecida pela renda fixa, pois serve como lastro financeiro e emocional em tempos de crise.
Iniciamos de forma pontual em 2000, com a aquisição de ações da Petrobras – aproveitamos a oportunidade concedida pelo Governo Federal de compra dessas ações com desconto de 20%. Retornamos à bolsa em 2005, adquirindo ações de maneira mais frequente.
Quantos por cento de suas reservas totais estão investidos na bolsa?
Atualmente, possuímos 40% de nossos investimentos em ações.
Você e sua mulher investem sozinhos ou através de clubes de investimento?
Somos autodidatas e preferimos investir sozinhos. Entretanto, sempre que possível discutimos com outros investidores para melhorar nossa análise.
Quais são os outros tipos de investimentos que vocês fazem?
Títulos Públicos (Tesouro Direto), debêntures e Previdência Privada.
Qual foi sua meta quando iniciou seus investimentos e em quanto tempo pretende realizá-la?
Nossa meta é ter tempo para cuidar de nossos filhos ou, em outras palavras, ter uma aposentadoria precoce por volta dos 49 anos. Refletimos bastante sobre o quanto seria suficiente para nós e planejamos nossa independência financeira para alcançar cerca de R$2 milhões. Não possuímos esse valor, mas ainda temos nove anos para consegui-lo. Por outro lado, nós nos contentaremos se chegarmos próximos ao valor estipulado.
Como você escolhe as empresas em que investe? O que analisa?
Acreditamos que o Brasil é competitivo nos setores de petróleo, minério e siderurgia. Além disso, os setores de bancos e energia elétrica também apresentam um comportamento lucrativo em relação a variável tempo. Começamos com as blue chips e, gradativamente, adicionamos algumas small caps e IPOs, nos distanciando dos setores mencionados. Com a crise americana e, consequentemente, mundial, estamos retornando às blue chips, que apresentam um comportamento mais estável em relação ao Ibovespa.
O que você faz quando as ações que possui começam a cair? Há um limite de queda aceitável?
Temos pouco tempo de vivência com essa modalidade de investimento. Cerca de quatro anos e algumas surpresas para principiantes: a gripe aviária, a especulação no preço do barril de petróleo e a crise iniciada em 2007. Mesmo sabendo da necessidade de se estipular limites para perdas e ganhos, é muito difícil lidar com o sentimento da esperança – esperança de que o valor investido volte aos patamares anteriores. Você vê sua ação cair e rejeita realizar o prejuízo na crença de que ela logo voltará a subir. Por outro lado, como já disse, trata-se de um investimento que requer conhecimento, calma e experiência. No atual ambiente de volatilidade (variação absurda entre altas e baixas), queremos trabalhar com uma margem aceitável de perda entre 10% e 15%.
Com que frequência você verifica a rentabilidade de suas ações?
Acompanho diariamente a rentabilidade de cada ação e a rentabilidade global da carteira.
Você investe em IPOs? Por quê?
Entre 2006 e 2007, na euforia de ganhos fáceis, investimos em vários lançamentos. Mas, agora, estamos mais cautelosos e dando preferência às blue chips.
Desde a data em que começou a investir até agora, você está com saldo negativo ou positivo? Pode dizer quanto em porcentagem?
Atualmente, estamos com um saldo negativo em torno de 35%, mas ele já foi maior.
Que conselho você daria para as pessoas que ainda não investem, mas têm vontade de começar?
Recomendo cuidado com as propagandas exageradas e não entrem porque “todos estão entrando”. Procurem estudar sobre o assunto, leiam livros da área e comecem com valores pequenos, mas, antes de tudo, façam uma autoanálise para verificar se suportam quedas elevadas e rápidas do valor investido. E nunca apliquem dinheiro que vocês irão precisar nos próximos dois ou três anos.
O que você espera do mercado para o segundo semestre de 2009?
Creio que a volatilidade continuará, mas com um bom fluxo de capital externo. Assim, monitoramento constante e respeito aos limites de ganhos/perdas definidos deverão ser cumpridos à risca.
Você já teve vontade de sair da bolsa? Por que não o fez?
Quando percebemos a queda violenta das ações com a crise, pensamos em sair. Entretanto, já era tarde. A desvalorização da nossa carteira estava em torno dos 60%, então decidimos aguardar. Já havíamos presenciado algo parecido com as ações da Perdigão quando houve a gripe aviária.
Que corretora(s) você utiliza?
Trabalhamos com a Intra desde 2005.
Para saber mais
Livro: Como chegar ao seu primeiro milhão: a história de um casal que já atingiu o seu
Autores: Marco Aurélio Falcone e Regina Tesima
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Autor(a): Larissa Moutinho
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