Prezado leitor, quando se fala do mercado de trabalho, há uma estatística muito usada que diz que 90% das profissões que existirão daqui a dez anos ainda não existem hoje. A proporção não muda, independentemente do período em que for realizada. Aparentemente, a informação não quer dizer muita coisa para quem investe na bolsa, mas ela diz muito. Essa informação mostra que há setores da economia que hoje não passam de projetos em laboratórios de universidades e empresas que se tornarão grandes negócios rapidamente (vale lembrar que estamos falando de bolsas de valores e em longo prazo, ou seja, dez anos é pouco nesse horizonte).
Há alguns setores da economia que hoje já mostram um potencial de crescimento grande e que deveriam ser avaliados com carinho pelo investidor, para que ele possa entrar o quanto antes nessas empresas e ver seu dinheiro se multiplicar.
A maior parte dos especialistas afirma que os setores de saúde (exceto planos de saúde), biotecnologia, educação, energia limpa, governo, segurança e tecnologia da informação serão os celeiros dessas novas ocupações, e não é preciso ser especialista para ver que esses setores crescem mais que a média.
Ou você imagina que uma fábrica de carros crescerá ainda muito mais no mundo de hoje, em que o carro logo, logo se tornará um vilão da poluição e as suas fábricas, elefantes obsoletos do século 20? Ou que a indústria petroleira, acusada por 11 entre 10 ecologistas de ser a vilã do meio ambiente, irá crescer muito mais?
A análise criteriosa de empresas que atuam nesses setores e o consequente investimento têm o potencial de gerar grandes retornos para o investidor. Infelizmente, no Brasil, não temos uma cultura de venture capital, o capital aventureiro que se dá a uma empresa que não passa de uma ideia na cabeça de alguns universitários, mas que pode, se cumprir algumas condições, tornar-se o novo Google do mundo. É difícil, mas não impossível.
O problema é saber avaliar corretamente essas empresas. Uma das grandes dificuldades que o investidor comum encontra nas IPOs é saber avaliar corretamente uma empresa que lança seu capital, mesmo que ela seja operacional e tenha alguns anos de atuação. A dificuldade torna-se ainda maior quando é uma empresa que está no papel.
Nos Estados Unidos, chama-se o investidor que aposta em empresas que ainda estão em projeto de angel investor. O nome é mais que apropriado, pois só um anjo para atender a um pedido aparentemente descabido. Mas, se a empresa atuar naqueles setores da economia que projetam crescimento muito acima do mercado, as chances de ela devolver o capital aplicado com grandes ganhos tende a aumentar. E, muitas vezes, essas empresas têm grandes cérebros criadores, mas péssimos administradores, e tudo o que precisam é de alguém pé no chão para tocar o dia a dia do negócio.
À medida que o Brasil vai amadurecendo como economia, haverá mais necessidade desses angel investors e de seu venture capital. O investidor ainda hoje não tem opções, mas logo as terá. O momento poderá ser de grandes retornos para quem souber arriscar com a moderação necessária. Mas, para isso, é preciso estudar bastante para comprar o que tem reais possibilidades de progredir, não qualquer sonho tresloucado. Preste atenção às novidades e às tendências, e não apenas àquelas tecnológicas, e ganhe com isso.
Bons investimentos!
Raúl Candeloro
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