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02/09/2010

Tomou?

Expansão, contração, dívidas, decisões erradas e até pura falta de sorte: tudo o que faz com que os acionistas da Laep/Parmalat chorem o leite derramado

fotomateria

 

Tomou?
Expansão, contração, dívidas, decisões erradas e até pura falta de sorte: tudo o que faz com que os acionistas da Laep/Parmalat chorem o leite derramado
Por Brasílio Andrade Neto
Há diferenças sutis entre o site da Parmalat italiana e o da brasileira. É até compreensível, visto que a Laep apenas licencia a marca italiana. Aqui, o símbolo usado é a flor estilizada, inteira, monocromática. Lá fora, a flor aparece pela metade, como num nascer do sol, e cheia de cores. No Brasil, um terço da página de entrada é dedicado a chamar atenção para a qualidade. Na Itália, o assunto domina um box com duas linhas, proporcionando menos interesse que os destaques para produtos e publicidade. 
Lá fora, os investidores podem ver os números do primeiro e do segundo trimestres de 2010. Aqui, os últimos números apresentados são do terceiro trimestre de 2009. Mas o curioso é que, na seção de história do site, a da Parmalat brasileira começa em 1970. A Laep, empresa fundada em 1994, apropria-se de um passado que não é seu para dar mais credibilidade. Na seção de história da matriz italiana, nada existe antes de 2005. Todos os escândalos, a lavagem de dinheiro, as ligações com governos europeus, tudo isso está implícito em uma linha: “A Parmalat é uma empresa nova, que assumiu os negócios da antiga Parmalat Financeira”. 
Recentemente, a Laep invadiu os noticiários com o intuito de reerguer a marca Parmalat no Brasil. Primeiro, investiu no lado que aparece para o consumidor ao tentar levar Ronaldinho Gaúcho para o Palmeiras. Depois, no lado que anima os investidores ao afirmar a intenção de a empresa pagar antecipadamente a dívida da antiga Parmalat do Brasil (LCSA3 e LCSA4), que acabou perdoada. Mas esse é só o fim da história até aqui e pode não ser suficiente para animar o investidor.
A vaca e o brejo – Para entender a situação da Parmalat/Laep (MILK11), é preciso voltar à década de 90, na Itália. Até então, a organização era um case de sucesso no mundo empresarial. Também era uma companhia jovem, simpática e apoiadora dos esportes. Logo a família Tanzi, dona da marca, começou a ser figurinha fácil nos círculos de poder italianos, o que facilitou a aprovação de seus diversos pedidos de emissão de bônus junto à Banca d’Itália, correspondente do Banco Central, logo após a IPO da empresa de laticínios em Milão. Esse dinheiro, em teoria, servia para sustentar uma expansão cada vez mais agressiva (veja mais detalhes na linha do tempo) até mesmo no Brasil.
A partir de 1990, a companhia revelou uma fome sem fim de aquisições. São quase 40 empresas adquiridas, até mesmo algumas que não tinham muito a ver com o negócio principal, como a Etti, fabricante de alimentos à base de tomate, e uma indústria de garrafas PET, para abastecer suas fábricas de sucos e achocolatados. Não contente em apenas comprar empresas, a filial brasileira também criou alguns negócios que pouco tinha a ver com industrialização e distribuição de laticínios, como uma rede de sorveterias e um escritório de marketing esportivo. Com a matriz praticamente imprimindo dinheiro com bônus atrás de bônus, parecia que nada podia dar errado, mas deu. 
Em 2003, após um escândalo-monstro, a Parmalat italiana foi declarada insolvente e o comando dela processado por fraude e lavagem de dinheiro. As filiais pelo mundo tiveram destinos diversos: algumas foram fechadas, outras pediram falência. A filial brasileira entrou em recuperação judicial e terminou aí sua ligação direta com a central italiana. 
Notícias para boi dormir – Entra em cena a Latin America Equity Partners (Laep), empresa criada para comprar companhias em apuros, fazer com que elas funcionem de novo e revendê-las com bom lucro. Entre seus principais sócios há o brasileiro Marcus Elias, que parecia ser a pessoa certa para tirar a Parmalat brasileira do buraco. Afinal, ele já tinha conseguido reerguer empresas como Unidas e Gomes da Costa. 
Em 2006, a Laep comprou as operações da Parmalat no Brasil. Em 2007, faria a IPO dela, gerando o novo código MILK11. Como se trata de uma empresa com sede em Bermuda, no Caribe, apesar de falarmos em “ação”, entende-se que a MILK11 é um Recibo Brasileiro de Depósito de nível 3, identificado na Bovespa pelo código DR3. Isso significa que, com um registro na CVM, a companhia pode captar recursos diretamente na Bovespa, o que também ajuda a entender a falta dos resultados trimestrais: a Laep pode estar seguindo à risca as leis empresariais... de Bermuda. 
Lançar ações de uma organização marcada por recentes escândalos financeiros não é tarefa fácil. É ainda mais difícil quando, em uma coincidência sem tamanho, essa companhia é atingida por denúncias de leite contaminado. Adicione a isso a crise de 2008 e temos a chamada tempestade perfeita, na qual todas as condições conspiram para que haja uma destruição sem tamanho. O lançamento das ações aconteceu em outubro de 2007, cotadas em R$7,50. Um ano depois, elas variavam entre R$0,20 e R$0,30. 
Se do lado de fora parecia que a Laep/Parmalat estava no fundo do poço, do lado de dentro a direção demonstrava estar cavando ainda mais fundo. Como não conseguiu o dinheiro pretendido com a IPO, a gerência não pôde colocar em prática todos os planos. Adquiriu, para não perder o hábito, a marca de leite Paulista e criou a Integralat, uma empresa destinada a melhorar o gado leiteiro do Brasil. Por meio da melhoria genética, a ideia é aumentar a produção de leite por vaca, diminuindo os custos. Tais pesquisas não são baratas e a Integralat acabou levando tudo o que a Laep tinha levantado com a IPO. E os credores da antiga Parmalat estavam batendo na porta. 
A Laep foi obrigada a vender tudo o que tinha e o que não tinha para manter a Parmalat do Brasil funcionando. Mais da metade dos funcionários foi mandada embora e marcas valiosas como Batavo e Etti foram vendidas a toque de caixa. O caso da Paulista foi emblemático: a empresa foi comprada e vendida pela Laep em quatro meses. Em novembro de 2008, mais um golpe na companhia: uma ação trabalhista pediu a falência da empresa, gerando a ordem judicial de que parassem de vender e comprar ações da antiga Parmalat (LCSA3 e LCSA4).
Nessa época, nos sites de investimento circulava rumores da humilhação definitiva da Parmalat no Brasil: tanto a Nestlé como a GP Investimentos entraram, olharam e foram embora dizendo que não valia a pena comprar, que a empresa não tinha salvação. 
Aos poucos, a Laep conseguiu colocar ordem na casa. Diminuiu a ênfase nos leites longa vida, que davam pouco lucro, voltou à mídia e aos patrocínios e, para evitar mais confusões, comprou todas as ações da LCSA, fechando o capital da companhia e enterrando definitivamente a história da antiga Parmalat. Agora a empresa vai para frente?
Para o leite não ferver – Até o fim de 2010, a Laep pretende zerar as dívidas deixadas pela antiga Parmalat. Ajuda o fato de que, no fim de julho deste ano, uma multa de R$371 milhões contra a empresa foi cancelada – finalmente uma boa notícia para ela. Em nota oficial, Marcus Elias celebrou: “É um marco histórico, pois a antecipação do pagamento integral da dívida da Parmalat Brasil junto aos seus credores representa o coroamento do esforço de recuperação da empresa, bem como reafirma o sucesso da Lei de Recuperação Judicial no Brasil. Tínhamos 10 mil credores, hoje (referindo-se a julho/2010) são apenas cinco”.
Além de conseguir pagar as contas, há mais dinheiro vindo para a Laep/Parmalat. Em julho, foi realizado um acordo com a Global Emerging Markets (GEM), empresa de fundos de investimento dos Estados Unidos. Em troca de uma emissão privada de quase 110 milhões de ações, os norte-americanos fizeram, em junho, um aporte de R$126 milhões na Parmalat do Brasil. E outros semelhantes estão em estudo. Também há uma série de acordos menores recheando o bolso da empresa, como o arrendamento de uma fábrica para a Goiasminas Indústria de Laticínios por 10 anos. E, com a companhia de volta aos eixos, Marcus Elias já pensa em fazer novas aquisições, mencionando “uma empresa de alimentos da Espanha”. Ainda assim, a companhia não quer viver apenas da marca italiana. No primeiro trimestre de 2010, ela se associou com a GP Dairy em um negócio que incluiu tudo, menos a Parmalat. 
Atenção que o acordo é meio complexo: a GP Dairy, não confunda com a GP Investimentos, é uma companhia de laticínios norte-americana com capital fechado, controla a Monticiano (MONP3B), que é dona da indústria de laticínios Leitbom. A Laep também possui uma segunda empresa de laticínios, a Lácteos do Brasil, que não tem nada a ver com a Parmalat. A Lácteos cedeu à Monticiano as marcas Ibituruna, Glória e Cacauleite em troca de 40% de suas ações. Não se trata, assim, de uma fusão, mas de um consórcio entre as duas firmas. É uma nova perna de negócios para a Laep que deve aumentar a confiança dos investidores. 
As notícias boas não causaram o impacto desejado na bolsa. Entre os ouvidos pela InvestMais, Reinaldo, que preferiu não se identificar totalmente, ressaltou o fato de que os papéis da MILK11 ainda estão baratos: “Mesmo se subisse só 3 centavos, você lucraria bastante, por isso é uma ação que atrai os day-traders”.
Os papéis da Laep também são vantajosos de outras maneiras. Segundo a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), a MILK11 é muito procurada para o aluguel de ações devido à sua taxa convidativa: aluga-se Laep por 29,76% a menos que a cotação no dia anterior, uma das melhores taxas do mercado. 
Talvez esse seja o grande problema com a MILK11. Ela é bastante negociada no dia a dia, mas corretora alguma a mantém em suas carteiras. Tornou-se uma ação de “trade”, com poucas pessoas se arriscando a dormir com ela em suas carteiras, o que leva a MILK11 a ser um papel indefinido. Tem preço de mico, as pessoas o compram e vendem como mico, porém o grande volume de negócios dele torna um ataque especulativo mais difícil. São muitos comprando e vendendo ao mesmo tempo, desestimulando qualquer espertalhão que tente inflar ou achatar o preço.
Para se ter uma ideia, a revista Safras & Mercado desenvolveu uma carteira teórica, baseada nas ações de empresas de agronegócio mais negociadas na Bovespa. Quanto mais negócios realizados, maior é o peso. Na carteira válida de maio a agosto de 2010, a MILK11 era responsável por 33,92% de uma carteira de dez papéis. As pessoas compram muito Laep e vendem muito também, quase sempre no mesmo dia. 
E por que deveriam mantê-la? A Laep é uma empresa que compra e vende companhias. O próprio Marcus Elias não nega: “No dia e no momento em que houver oportunidade favorável de alienação de qualquer ativo, vou vender”. Não é de se admirar que seus investidores pensem da mesma forma. 
Bermuda, para não ser pego de calças curtas
Tanto a Laep como a Monticiano têm suas sedes em Bermuda. Por que essa ilha do Caribe se tornou a sede de boa parte dos negócios do leite brasileiro?
Nas maiores cidades do Brasil, pode-se encontrar casas de prostituição de alto luxo, nas quais se pratica o sexo seguro e, nos intervalos, pode-se usufruir de um bom bar e restaurante integrado, talvez até um show de música de qualidade ao vivo. Da mesma forma, é possível frequentar cassinos voltados a uma clientela seleta, nos quais há garantias de que os jogos não são viciados, os crupiês são educados e serve-se bebida da melhor qualidade. Ainda assim, tais lugares são prostíbulos e cassinos ilegais. 
No mundo das finanças, Bermuda é o equivalente a esses locais de alto luxo. Possui uma fiscalização monetária séria e competente e uma legislação eficiente que bloqueia investimentos vindos de fontes suspeitas, como tráfico e contrabando. Do mesmo jeito, não deixa de ser um paraíso fiscal. 
Com 66 mil habitantes e perto de 13 mil empresas estrangeiras baseadas, para todos os efeitos, em Bermuda, o país tem vários motivos de atração, além do sistema financeiro mais organizado:
• É parte do Reino Unido, o que se traduz como um “selo de tranquilidade” para os investidores – as chances de um louco aparecer e promover um golpe de estado são mínimas.
• Possui impostos baixíssimos.
• Sua moeda oficial, o Dólar de Bermuda, equivale, por lei, a um dólar americano, o que facilita muito a vida dos contadores. 
 
Linha do tempo: como o leite azedou
• 1961 – Calisto Tanzi, então com 22 anos, abandona a faculdade e abre uma pequena usina de pasteurização nos arredores de Parma. 
• 1972 – O Brasil é um dos primeiros países fora da Itália a receber a marca Parmalat, por meio de uma associação com a Laticínios Mococa.
• 1977 – A Parmalat inaugura a primeira fábrica própria no Brasil.
• 1978 – A empresa começa a patrocinar o grupo Brabham na Fórmula 1. Na época, o dono da Brabham era Bernie Ecclestone. No meio da temporada, a equipe coloca um terceiro carro na pista para o então iniciante Nelson Piquet.
• 1987 – Calisto Tanzio lança sua estação de TV, a OdeonTV.
• 1989 – O grupo Parmalat adquire 45% do time de futebol Parma A.C. e leva ao clube astros como Fabio Cannavaro, Dino Baggio, Fernando Couto e Hernám Crespo.
• 1990 – A Parmalat faz sua IPO na bolsa de Milão.
• 1992 – Começa a Cogestão Palmeiras Parmalat, que dura 8 anos, leva vários craques ao time e rende ao clube os títulos da Libertadores, da Copa Mercosul, dois títulos brasileiros, um da Copa do Brasil e três Campeonatos Paulistas. 
• 1994 – Não tem nada a ver com a Parmalat ainda, mas, nesse ano, a Latin America Equity Partners (Laep) é criada, como uma companhia de private equities, especializada em comprar e vender empresas. Sua sede é em Bermuda. 
• 1996 – Criação no Brasil da rede Gelateria Parmalat. 
• 1997 – Para sustentar sua expansão, a Parmalat começa a emitir debêntures, com a bênção da Banca d’Itália, o Banco Central italiano. Ao longo dos anos, foram mais de dois bilhões de euros em títulos da empresa colocados no mercado. 
• 1997 – Ainda assim, várias das novas aquisições da companhia apresentam prejuízo. Para maquiar o problema, a Parmalat se especializa em lançar e especular com derivativos, o que ajuda a esconder os números preocupantes. 
• 1998 – É criada a BonLat, subsidiária com sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. 
• 1998 – No Brasil, a Parmalat adquire a Batavo... e outras 29 empresas desde 1990.
• 2002 – Com o escândalo e falência da Enrom norte-americana, governos de todo o mundo correm para criar processos de auditoria mais confiáveis nas empresas. Na União Europeia não é diferente. Os novos parâmetros entrariam no ar no fim de 2003.
• 2003 – Para a surpresa do mercado e do CEO da companhia, Calisto Tanzi, seu diretor financeiro, Fausto Tonna, anuncia uma emissão de debêntures no valor de 500 milhões de euros. Tanzi, não gostando do papel de marido traído que foi o último a saber, demite Tonna. Dá para imaginar que o mercado não reagiu bem a esse imbróglio. 
• 2003 – Alberto Ferraris é nomeado novo diretor-financeiro. Sua passagem pelo cargo pode ser resumida em: segunda-feira, conhecer a nova secretária e os assistentes e se familiarizar com o escritório; terça e quarta-feira, descobrir que a dívida da empresa é o dobro do que os balanços apresentam e encontrar negócios suspeitos com fundos de investimento situados nas Ilhas Cayman; quinta-feira, reunião com o Bank of America, no qual descobriu fraudes milionárias em uma das contas-correntes da BonLat, sua subsidiária; sexta-feira, demitir-se e sair correndo antes que sobrasse para ele também.
• 2003 – A Parmalat é julgada insolvente e seu comando é processado por fraude e lavagem de dinheiro. 
• 2003 – Em dezembro, o governo italiano bloqueia a compra e venda de ações da Parmalat na bolsa de Milão. 
• 2003 – Em uma série de reuniões de emergência, todos os escândalos são reunidos sob a empresa Parmalat Finanziaria S.p.A. Salva-se o que pode ser salvo sob uma empresa provisoriamente chamada de New Parmalat.
• 2003 – Enrico Bondi assume tanto a presidência quanto a diretoria-geral da Parmalat Finanziaria, permanecendo no cargo por duas semanas. É então guindado à presidência do grupo Parmalat inteiro por outras duas semanas. Calisto Tanzi recorre da sentença de dez anos de prisão e ainda aguarda em liberdade e decisão judicial.
• 2004 – Enrico Bondi muda o nome de seu cargo para “comissário extraordinário”, enquanto a empresa se reestrutura. 
• 2004 – Vêm à tona os balanços criativos. Segundo os números da empresa, cada habitante de Cuba comprou e consumiu 250 litros de leite Parmalat em 2003. 
• 2004 – As investigações atingem não apenas o Bank of America, mas também o Citigroup, Morgan Stanley, Deutsche Bank e vários bancos italianos. 
• 2004 – As subsidiárias da Parmalat nos Estados Unidos pedem falência. 
• 2004 – O Bank of America e a Parmalat passam a segunda metade do ano processando um ao outro. O banco é acusado de saber e facilitar as fraudes contra a empresa de laticínios, enquanto acusa a Parmalat por perdas e danos. 
• 2005 – A New Parmalat muda de nome e lança sua IPO na bolsa de Milão, com Enrico Bondi como CEO. Assim, a Parmalat S.p.A. é fundada e a Parmalat Finanziaria é afundada. 
• 2006 – A operação brasileira da empresa é comprada pela Laep, tendo à frente da direção Marcus Elias. Hoje, o Brasil é um dos nove países que licenciam a marca Parmalat sem ligação direta com a matriz italiana. 
• 2007 – O Bank of America é julgado inocente. Juízes entendem que a instituição não se beneficiou do escândalo Parmalat e pode se juntar aos outros credores na partilha do espólio da empresa italiana. É lógico que o alívio não dura muito com a proximidade da crise de 2008, mas essa é outra história. 
• 2007 – É realizada a IPO da Laep. A MILK11 estreia cotada a R$7,00.
• 2007 – Como desgraça pouca é bobagem, estoura o escândalo do leite contaminado vendido para a Parmalat brasileira por produtores de Minas Gerais. Outras marcas também são atingidas. 
• 2010 – A Parmalat está presente em 17 países e licencia sua marca para mais nove. Na primeira metade de 2010, a empresa registra um lucro Ebitda de 174 milhões de euros, um aumento de 8% se comparado com o mesmo período de 2009. 
• 2010 – A MILK11 está cotada a R$0,87. O último balanço apresentado pela empresa é o do terceiro trimestre de 2009, que apresenta um prejuízo de R$405 milhões.

Há diferenças sutis entre o site da Parmalat italiana e o da brasileira. É até compreensível, visto que a Laep apenas licencia a marca italiana. Aqui, o símbolo usado é a flor estilizada, inteira, monocromática. Lá fora, a flor aparece pela metade, como num nascer do sol, e cheia de cores. No Brasil, um terço da página de entrada é dedicado a chamar atenção para a qualidade. Na Itália, o assunto domina um box com duas linhas, proporcionando menos interesse que os destaques para produtos e publicidade. 

Lá fora, os investidores podem ver os números do primeiro e do segundo trimestres de 2010. Aqui, os últimos números apresentados são do terceiro trimestre de 2009. Mas o curioso é que, na seção de história do site, a da Parmalat brasileira começa em 1970. A Laep, empresa fundada em 1994, apropria-se de um passado que não é seu para dar mais credibilidade. Na seção de história da matriz italiana, nada existe antes de 2005. Todos os escândalos, a lavagem de dinheiro, as ligações com governos europeus, tudo isso está implícito em uma linha: “A Parmalat é uma empresa nova, que assumiu os negócios da antiga Parmalat Financeira”. 

Recentemente, a Laep invadiu os noticiários com o intuito de reerguer a marca Parmalat no Brasil. Primeiro, investiu no lado que aparece para o consumidor ao tentar levar Ronaldinho Gaúcho para o Palmeiras. Depois, no lado que anima os investidores ao afirmar a intenção de a empresa pagar antecipadamente a dívida da antiga Parmalat do Brasil (LCSA3 e LCSA4), que acabou perdoada. Mas esse é só o fim da história até aqui e pode não ser suficiente para animar o investidor.

 

A vaca e o brejo – Para entender a situação da Parmalat/Laep (MILK11), é preciso voltar à década de 90, na Itália. Até então, a organização era um case de sucesso no mundo empresarial. Também era uma companhia jovem, simpática e apoiadora dos esportes. Logo a família Tanzi, dona da marca, começou a ser figurinha fácil nos círculos de poder italianos, o que facilitou a aprovação de seus diversos pedidos de emissão de bônus junto à Banca d’Itália, correspondente do Banco Central, logo após a IPO da empresa de laticínios em Milão. Esse dinheiro, em teoria, servia para sustentar uma expansão cada vez mais agressiva (veja mais detalhes na linha do tempo) até mesmo no Brasil.

A partir de 1990, a companhia revelou uma fome sem fim de aquisições. São quase 40 empresas adquiridas, até mesmo algumas que não tinham muito a ver com o negócio principal, como a Etti, fabricante de alimentos à base de tomate, e uma indústria de garrafas PET, para abastecer suas fábricas de sucos e achocolatados. Não contente em apenas comprar empresas, a filial brasileira também criou alguns negócios que pouco tinha a ver com industrialização e distribuição de laticínios, como uma rede de sorveterias e um escritório de marketing esportivo. Com a matriz praticamente imprimindo dinheiro com bônus atrás de bônus, parecia que nada podia dar errado, mas deu. 

Em 2003, após um escândalo-monstro, a Parmalat italiana foi declarada insolvente e o comando dela processado por fraude e lavagem de dinheiro. As filiais pelo mundo tiveram destinos diversos: algumas foram fechadas, outras pediram falência. A filial brasileira entrou em recuperação judicial e terminou aí sua ligação direta com a central italiana. 

 

Notícias para boi dormir – Entra em cena a Latin America Equity Partners (Laep), empresa criada para comprar companhias em apuros, fazer com que elas funcionem de novo e revendê-las com bom lucro. Entre seus principais sócios há o brasileiro Marcus Elias, que parecia ser a pessoa certa para tirar a Parmalat brasileira do buraco. Afinal, ele já tinha conseguido reerguer empresas como Unidas e Gomes da Costa. 

Em 2006, a Laep comprou as operações da Parmalat no Brasil. Em 2007, faria a IPO dela, gerando o novo código MILK11. Como se trata de uma empresa com sede em Bermuda, no Caribe, apesar de falarmos em “ação”, entende-se que a MILK11 é um Recibo Brasileiro de Depósito de nível 3, identificado na Bovespa pelo código DR3. Isso significa que, com um registro na CVM, a companhia pode captar recursos diretamente na Bovespa, o que também ajuda a entender a falta dos resultados trimestrais: a Laep pode estar seguindo à risca as leis empresariais... de Bermuda. 

Lançar ações de uma organização marcada por recentes escândalos financeiros não é tarefa fácil. É ainda mais difícil quando, em uma coincidência sem tamanho, essa companhia é atingida por denúncias de leite contaminado. Adicione a isso a crise de 2008 e temos a chamada tempestade perfeita, na qual todas as condições conspiram para que haja uma destruição sem tamanho. O lançamento das ações aconteceu em outubro de 2007, cotadas em R$7,50. Um ano depois, elas variavam entre R$0,20 e R$0,30. 

Se do lado de fora parecia que a Laep/Parmalat estava no fundo do poço, do lado de dentro a direção demonstrava estar cavando ainda mais fundo. Como não conseguiu o dinheiro pretendido com a IPO, a gerência não pôde colocar em prática todos os planos. Adquiriu, para não perder o hábito, a marca de leite Paulista e criou a Integralat, uma empresa destinada a melhorar o gado leiteiro do Brasil. Por meio da melhoria genética, a ideia é aumentar a produção de leite por vaca, diminuindo os custos. Tais pesquisas não são baratas e a Integralat acabou levando tudo o que a Laep tinha levantado com a IPO. E os credores da antiga Parmalat estavam batendo na porta. 

A Laep foi obrigada a vender tudo o que tinha e o que não tinha para manter a Parmalat do Brasil funcionando. Mais da metade dos funcionários foi mandada embora e marcas valiosas como Batavo e Etti foram vendidas a toque de caixa. O caso da Paulista foi emblemático: a empresa foi comprada e vendida pela Laep em quatro meses. Em novembro de 2008, mais um golpe na companhia: uma ação trabalhista pediu a falência da empresa, gerando a ordem judicial de que parassem de vender e comprar ações da antiga Parmalat (LCSA3 e LCSA4).

Nessa época, nos sites de investimento circulava rumores da humilhação definitiva da Parmalat no Brasil: tanto a Nestlé como a GP Investimentos entraram, olharam e foram embora dizendo que não valia a pena comprar, que a empresa não tinha salvação. 

Aos poucos, a Laep conseguiu colocar ordem na casa. Diminuiu a ênfase nos leites longa vida, que davam pouco lucro, voltou à mídia e aos patrocínios e, para evitar mais confusões, comprou todas as ações da LCSA, fechando o capital da companhia e enterrando definitivamente a história da antiga Parmalat. Agora a empresa vai para frente?

 

Para o leite não ferver – Até o fim de 2010, a Laep pretende zerar as dívidas deixadas pela antiga Parmalat. Ajuda o fato de que, no fim de julho deste ano, uma multa de R$371 milhões contra a empresa foi cancelada – finalmente uma boa notícia para ela. Em nota oficial, Marcus Elias celebrou: “É um marco histórico, pois a antecipação do pagamento integral da dívida da Parmalat Brasil junto aos seus credores representa o coroamento do esforço de recuperação da empresa, bem como reafirma o sucesso da Lei de Recuperação Judicial no Brasil. Tínhamos 10 mil credores, hoje (referindo-se a julho/2010) são apenas cinco”.

Além de conseguir pagar as contas, há mais dinheiro vindo para a Laep/Parmalat. Em julho, foi realizado um acordo com a Global Emerging Markets (GEM), empresa de fundos de investimento dos Estados Unidos. Em troca de uma emissão privada de quase 110 milhões de ações, os norte-americanos fizeram, em junho, um aporte de R$126 milhões na Parmalat do Brasil. E outros semelhantes estão em estudo. Também há uma série de acordos menores recheando o bolso da empresa, como o arrendamento de uma fábrica para a Goiasminas Indústria de Laticínios por 10 anos. E, com a companhia de volta aos eixos, Marcus Elias já pensa em fazer novas aquisições, mencionando “uma empresa de alimentos da Espanha”. Ainda assim, a companhia não quer viver apenas da marca italiana. No primeiro trimestre de 2010, ela se associou com a GP Dairy em um negócio que incluiu tudo, menos a Parmalat. 

Atenção que o acordo é meio complexo: a GP Dairy, não confunda com a GP Investimentos, é uma companhia de laticínios norte-americana com capital fechado, controla a Monticiano (MONP3B), que é dona da indústria de laticínios Leitbom. A Laep também possui uma segunda empresa de laticínios, a Lácteos do Brasil, que não tem nada a ver com a Parmalat. A Lácteos cedeu à Monticiano as marcas Ibituruna, Glória e Cacauleite em troca de 40% de suas ações. Não se trata, assim, de uma fusão, mas de um consórcio entre as duas firmas. É uma nova perna de negócios para a Laep que deve aumentar a confiança dos investidores. 

As notícias boas não causaram o impacto desejado na bolsa. Entre os ouvidos pela InvestMais, Reinaldo, que preferiu não se identificar totalmente, ressaltou o fato de que os papéis da MILK11 ainda estão baratos: “Mesmo se subisse só 3 centavos, você lucraria bastante, por isso é uma ação que atrai os day-traders”.

Os papéis da Laep também são vantajosos de outras maneiras. Segundo a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), a MILK11 é muito procurada para o aluguel de ações devido à sua taxa convidativa: aluga-se Laep por 29,76% a menos que a cotação no dia anterior, uma das melhores taxas do mercado. 

Talvez esse seja o grande problema com a MILK11. Ela é bastante negociada no dia a dia, mas corretora alguma a mantém em suas carteiras. Tornou-se uma ação de “trade”, com poucas pessoas se arriscando a dormir com ela em suas carteiras, o que leva a MILK11 a ser um papel indefinido. Tem preço de mico, as pessoas o compram e vendem como mico, porém o grande volume de negócios dele torna um ataque especulativo mais difícil. São muitos comprando e vendendo ao mesmo tempo, desestimulando qualquer espertalhão que tente inflar ou achatar o preço.

Para se ter uma ideia, a revista Safras & Mercado desenvolveu uma carteira teórica, baseada nas ações de empresas de agronegócio mais negociadas na Bovespa. Quanto mais negócios realizados, maior é o peso. Na carteira válida de maio a agosto de 2010, a MILK11 era responsável por 33,92% de uma carteira de dez papéis. As pessoas compram muito Laep e vendem muito também, quase sempre no mesmo dia. 

E por que deveriam mantê-la? A Laep é uma empresa que compra e vende companhias. O próprio Marcus Elias não nega: “No dia e no momento em que houver oportunidade favorável de alienação de qualquer ativo, vou vender”. Não é de se admirar que seus investidores pensem da mesma forma. 

 

Bermuda, para não ser pego de calças curtas

Tanto a Laep como a Monticiano têm suas sedes em Bermuda. Por que essa ilha do Caribe se tornou a sede de boa parte dos negócios do leite brasileiro?

Nas maiores cidades do Brasil, pode-se encontrar casas de prostituição de alto luxo, nas quais se pratica o sexo seguro e, nos intervalos, pode-se usufruir de um bom bar e restaurante integrado, talvez até um show de música de qualidade ao vivo. Da mesma forma, é possível frequentar cassinos voltados a uma clientela seleta, nos quais há garantias de que os jogos não são viciados, os crupiês são educados e serve-se bebida da melhor qualidade. Ainda assim, tais lugares são prostíbulos e cassinos ilegais. 

No mundo das finanças, Bermuda é o equivalente a esses locais de alto luxo. Possui uma fiscalização monetária séria e competente e uma legislação eficiente que bloqueia investimentos vindos de fontes suspeitas, como tráfico e contrabando. Do mesmo jeito, não deixa de ser um paraíso fiscal. 

Com 66 mil habitantes e perto de 13 mil empresas estrangeiras baseadas, para todos os efeitos, em Bermuda, o país tem vários motivos de atração, além do sistema financeiro mais organizado:

• É parte do Reino Unido, o que se traduz como um “selo de tranquilidade” para os investidores – as chances de um louco aparecer e promover um golpe de estado são mínimas.

• Possui impostos baixíssimos.

• Sua moeda oficial, o Dólar de Bermuda, equivale, por lei, a um dólar americano, o que facilita muito a vida dos contadores. 

 

 

Linha do tempo: como o leite azedou

• 1961 – Calisto Tanzi, então com 22 anos, abandona a faculdade e abre uma pequena usina de pasteurização nos arredores de Parma. 

• 1972 – O Brasil é um dos primeiros países fora da Itália a receber a marca Parmalat, por meio de uma associação com a Laticínios Mococa.

• 1977 – A Parmalat inaugura a primeira fábrica própria no Brasil.

• 1978 – A empresa começa a patrocinar o grupo Brabham na Fórmula 1. Na época, o dono da Brabham era Bernie Ecclestone. No meio da temporada, a equipe coloca um terceiro carro na pista para o então iniciante Nelson Piquet.

• 1987 – Calisto Tanzio lança sua estação de TV, a OdeonTV.

• 1989 – O grupo Parmalat adquire 45% do time de futebol Parma A.C. e leva ao clube astros como Fabio Cannavaro, Dino Baggio, Fernando Couto e Hernám Crespo.

• 1990 – A Parmalat faz sua IPO na bolsa de Milão.

• 1992 – Começa a Cogestão Palmeiras Parmalat, que dura 8 anos, leva vários craques ao time e rende ao clube os títulos da Libertadores, da Copa Mercosul, dois títulos brasileiros, um da Copa do Brasil e três Campeonatos Paulistas. 

• 1994 – Não tem nada a ver com a Parmalat ainda, mas, nesse ano, a Latin America Equity Partners (Laep) é criada, como uma companhia de private equities, especializada em comprar e vender empresas. Sua sede é em Bermuda. 

• 1996 – Criação no Brasil da rede Gelateria Parmalat. 

• 1997 – Para sustentar sua expansão, a Parmalat começa a emitir debêntures, com a bênção da Banca d’Itália, o Banco Central italiano. Ao longo dos anos, foram mais de dois bilhões de euros em títulos da empresa colocados no mercado. 

• 1997 – Ainda assim, várias das novas aquisições da companhia apresentam prejuízo. Para maquiar o problema, a Parmalat se especializa em lançar e especular com derivativos, o que ajuda a esconder os números preocupantes. 

• 1998 – É criada a BonLat, subsidiária com sede no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. 

• 1998 – No Brasil, a Parmalat adquire a Batavo... e outras 29 empresas desde 1990.

• 2002 – Com o escândalo e falência da Enrom norte-americana, governos de todo o mundo correm para criar processos de auditoria mais confiáveis nas empresas. Na União Europeia não é diferente. Os novos parâmetros entrariam no ar no fim de 2003.

• 2003 – Para a surpresa do mercado e do CEO da companhia, Calisto Tanzi, seu diretor financeiro, Fausto Tonna, anuncia uma emissão de debêntures no valor de 500 milhões de euros. Tanzi, não gostando do papel de marido traído que foi o último a saber, demite Tonna. Dá para imaginar que o mercado não reagiu bem a esse imbróglio. 

• 2003 – Alberto Ferraris é nomeado novo diretor-financeiro. Sua passagem pelo cargo pode ser resumida em: segunda-feira, conhecer a nova secretária e os assistentes e se familiarizar com o escritório; terça e quarta-feira, descobrir que a dívida da empresa é o dobro do que os balanços apresentam e encontrar negócios suspeitos com fundos de investimento situados nas Ilhas Cayman; quinta-feira, reunião com o Bank of America, no qual descobriu fraudes milionárias em uma das contas-correntes da BonLat, sua subsidiária; sexta-feira, demitir-se e sair correndo antes que sobrasse para ele também.

• 2003 – A Parmalat é julgada insolvente e seu comando é processado por fraude e lavagem de dinheiro. 

• 2003 – Em dezembro, o governo italiano bloqueia a compra e venda de ações da Parmalat na bolsa de Milão. 

• 2003 – Em uma série de reuniões de emergência, todos os escândalos são reunidos sob a empresa Parmalat Finanziaria S.p.A. Salva-se o que pode ser salvo sob uma empresa provisoriamente chamada de New Parmalat.

• 2003 – Enrico Bondi assume tanto a presidência quanto a diretoria-geral da Parmalat Finanziaria, permanecendo no cargo por duas semanas. É então guindado à presidência do grupo Parmalat inteiro por outras duas semanas. Calisto Tanzi recorre da sentença de dez anos de prisão e ainda aguarda em liberdade e decisão judicial.

• 2004 – Enrico Bondi muda o nome de seu cargo para “comissário extraordinário”, enquanto a empresa se reestrutura. 

• 2004 – Vêm à tona os balanços criativos. Segundo os números da empresa, cada habitante de Cuba comprou e consumiu 250 litros de leite Parmalat em 2003. 

• 2004 – As investigações atingem não apenas o Bank of America, mas também o Citigroup, Morgan Stanley, Deutsche Bank e vários bancos italianos. 

• 2004 – As subsidiárias da Parmalat nos Estados Unidos pedem falência. 

• 2004 – O Bank of America e a Parmalat passam a segunda metade do ano processando um ao outro. O banco é acusado de saber e facilitar as fraudes contra a empresa de laticínios, enquanto acusa a Parmalat por perdas e danos. 

• 2005 – A New Parmalat muda de nome e lança sua IPO na bolsa de Milão, com Enrico Bondi como CEO. Assim, a Parmalat S.p.A. é fundada e a Parmalat Finanziaria é afundada. 

• 2006 – A operação brasileira da empresa é comprada pela Laep, tendo à frente da direção Marcus Elias. Hoje, o Brasil é um dos nove países que licenciam a marca Parmalat sem ligação direta com a matriz italiana. 

• 2007 – O Bank of America é julgado inocente. Juízes entendem que a instituição não se beneficiou do escândalo Parmalat e pode se juntar aos outros credores na partilha do espólio da empresa italiana. É lógico que o alívio não dura muito com a proximidade da crise de 2008, mas essa é outra história. 

• 2007 – É realizada a IPO da Laep. A MILK11 estreia cotada a R$7,00.

• 2007 – Como desgraça pouca é bobagem, estoura o escândalo do leite contaminado vendido para a Parmalat brasileira por produtores de Minas Gerais. Outras marcas também são atingidas. 

• 2010 – A Parmalat está presente em 17 países e licencia sua marca para mais nove. Na primeira metade de 2010, a empresa registra um lucro Ebitda de 174 milhões de euros, um aumento de 8% se comparado com o mesmo período de 2009. 

• 2010 – A MILK11 está cotada a R$0,87. O último balanço apresentado pela empresa é o do terceiro trimestre de 2009, que apresenta um prejuízo de R$405 milhões.

 


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