O primeiro trimestre deste ano ficou caracterizado devido a uma demanda menor por papel e celulose em relação a 2008, segundo dados da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) e da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). Para acompanhar essa menor procura, a oferta também diminuiu, levando diversos produtores a antecipar paradas para manutenção e a dar férias coletivas aos funcionários de várias unidades fabris. Os números, entretanto, surpreenderam positivamente os especialistas do setor, que esperavam uma queda ainda maior.
“O que surpreendeu realmente foi a demanda chinesa, principalmente para celulose de eucalipto, que é produção local. Ela cresceu muito acima da demanda das outras fibras”, destaca Marco Saravalle, analista da corretora Coinvalores. A China apresentou um crescimento de 26,9% na demanda por celulose no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2008. Se considerados os mesmos meses do ano passado, o aumento da solicitação chinesa pelo polímero é ainda maior: 63,6%. No entanto, os mercados europeu e norte-americano não acompanharam tal crescimento e “permaneceram fracos, com excesso de estoque na cadeia e sem perspectivas no curto prazo de retomada consistente de demanda”, segundo relatório divulgado pela Fator Corretora.
Por outro lado, a produção doméstica de papel sofreu queda de 5% ao ano em função da menor demanda e do consumo de estoques na cadeia. Ainda segundo balanço da Fator Corretora: “Houve queda do saldo comercial (em volume) em 13% ao ano – o real desvalorizado e a menor demanda reduziram a importação, a exportação também recuou, apesar da maior competitividade do produto nacional. Em papelão ondulado, a venda caiu 7,2% ao ano no primeiro trimestre de 2009, apesar da retomada em março. Entretanto, a queda em relação a março do ano passado mostrou que o mês sofreu (ainda que em menor grau) impacto do desaquecimento econômico”.
“Com a exceção do papel cartão, o preço de venda em dólar dos principais papéis caiu tanto anual quanto trimestralmente. Além disso, a concessão de maiores descontos em função da demanda mais fraca pressionou o preço para baixo, que foi parcialmente compensado pela desvalorização do real em 35% ao ano e em 7% no trimestre”, completa o mesmo documento.
Para investigar se o setor já chegou ao fundo do poço e já está se recuperando, a InvestMais resolveu comparar duas empresas bastante diferentes: A Klabin e a Suzano. A primeira possui foco na venda de embalagens, enquanto que a Suzano tem como pontos fortes o comércio de papel e celulose.
No primeiro trimestre deste ano, o volume de vendas da Klabin, sem incluir madeira “foi de 356 mil toneladas, 8% inferior ao primeiro trimestre de 2008, principalmente impactado pela redução de vendas do papel kraftliner”, revela Saravalle. A Suzano, por sua vez, “atingiu 654 mil toneladas de produtos vendidos, sendo 421 mil toneladas de celulose e 233 mil toneladas de papel, com crescimento de 5,7% ante o mesmo período do ano passado. A Ásia representou 48,1% das vendas de celulose, contra 37,1% no trimestre anterior”, complementa o analista da Coinvalores.
Embora diferentes em suas essências, as duas empresas partem do mesmo setor e trazem em comum a recuperação dos resultados do último trimestre. A Klabin deixou para trás o prejuízo de R$314.169 milhões do resultado anterior para lucrar R$28.944 milhões nos primeiros três meses deste ano. Já a Suzano partiu do prejuízo de R$494.527 milhões em outubro, novembro e dezembro de 2008 para alcançar R$89.780 milhões de lucro no último trimestre.
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Klabin |
Suzano |
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A Klabin é a maior produtora, exportadora e recicladora de papéis do País. Fundada em 1899, ela é líder nos mercados de papéis e cartões para embalagem, embalagens de papelão ondulado e sacos industriais, além de produzir e comercializar madeira em toras – utilizada na indústria moveleira e construção civil. No total, possui 17 unidades industriais, sendo 16 no Brasil e 1 na Argentina, entre elas a sede de Telêmaco Borba, PR, sua maior indústria. A empresa atua em quatro unidades de negócios: florestal, papéis, embalagens de papelão ondulado e sacos industriais. A mais nova máquina de papel da Klabin, a MP9, mais moderna máquina de papel-cartão do mundo, promete aumentar consideravelmente a capacidade de produção da Unidade Klabin Monte Alegre, em Telêmaco Borba. Com isso, a companhia dá segmento ao projeto de expansão MA-1100, que visa aumentar a capacidade de produção de papéis e cartões revestidos para embalagens de 1,6 milhão para 2 milhões de toneladas ao ano. |
Com pouco mais de 80 anos de mercado, a Suzano é uma empresa de base florestal e uma das maiores produtoras verticalmente integradas de papel e celulose da América Latina, com atuação global em cerca de 80 países. Seus principais produtos são: celulose de eucalipto, papéis para imprimir e escrever (revestidos e não revestidos) e papel-cartão, sendo que, nesse último, a Suzano é a líder de mercado na América Latina. Nos demais segmentos, está entre os dez maiores produtores de celulose de mercado do mundo e é a segunda maior produtora de celulose de eucalipto. Possui cinco unidades industriais, que estão localizadas nos estados da Bahia e de São Paulo. Entretanto, até 2015, a empresa estima ampliar sua produção dos atuais 2,9 milhões de toneladas/ano para 7,2 milhões de toneladas/ano com a construção de três novas plantas industriais: no Maranhão, Piauí e a outra em local ainda não definido. Além disso, investirá na otimização da capacidade instalada da Unidade Mucuri, sua principal indústria. |
Pilares
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Pilares
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Fonte: www.klabin.com.br |
Fonte: www.suzano.com.br |
Para a Fator Corretora, o resultado do primeiro trimestre de 2009 da Suzano foi “regular, em função da queda do preço médio de venda, devido a menor cotação da celulose e do menor peso do segmento de papel no mix de venda”. Mesmo assim, o forte volume comercializado de celulose surpreendeu positivamente a corretora, que espera nova evolução nesse sentido para o segundo trimestre da empresa. “Com o melhor volume de papel (em parte por efeito sazonal) e estabilidade na cotação da celulose, acreditamos que as condições estejam favoráveis à companhia para mostrar maiores margens no próximo trimestre”, afirma o relatório da Fator Corretora.
Outra que vê com bons olhos as ações da Suzano é a Coinvalores. “A Suzano já antecipou que vai aumentar o preço de seus lotes em US$20 para o mercado chinês. É sinal de uma possível retomada, uma reversão da tendência de queda, no curto prazo. Isso ainda não se confirmou, então não posso dizer que o cenário hoje é de alta, mas estou me antecipando e assumindo esse risco de certa forma, e recomendo aumentar a exposição para o setor. Olhando para esses sinais, assumo que há grandes chances de tendência de recuperação no segundo semestre”, evidencia Marco Saravalle.
Quando questionado por seus clientes, a Saravalle recomenda atenção semanal aos papéis desse setor: “Eu sempre falo para os investidores para irmos acompanhando semanalmente os relatórios de estoques e preços a fim de vermos se isso se confirma ou não. Isso pode ter sido alguma coisa pontual, por algum efeito local mesmo, ou pode ser uma confirmação de tendência”. Para longo prazo, entretanto, ele não tem dúvidas: “A longo prazo, eu continuo com uma visão positiva para o setor, independentemente da empresa, acredito que principalmente a celulose brasileira ganhará. Se o investidor disser que vai comprar papel de celulose para 2012, 2013, eu não tenho receio de recomendar a entrada no setor. Hoje, no curto prazo, acho possível uma reversão de tendência, mas minha preferência é pela Suzano”.
Ele menciona que a empresa é a mais preparada do setor atualmente, mesmo quando comparada às gigantes Votorantim Celulose e Papel S.A. (VCP) e Aracruz Celulose. “Por dois motivos: pela alta que a VCP e a Aracruz tiveram no curto prazo e pela situação financeira de curto prazo que essas companhias terão. A Aracruz deve ser incorporada em meados de junho e tem muita relação ao balanço, endividamento e passivo da VCP, que será incorporado na parte da Aracruz. Hoje, existem muitas questões que não justificam esse patamar de preço em relação a VCP e a Aracruz. Então, minha preferência é pela Suzano”, afirma Saravalle. Considerando apenas a Klabin e a Suzano, o analista ainda assim seleciona a Suzano, “devido ao case de longo prazo, que é muito interessante, e também pelas margens da rentabilidade da celulose”.
Para a Ágora Corretora, as ações de ambas são interessantes desde que se considere o médio e longo prazos. “As ações no curto prazo subiram forte, então é possível que existam realizações. A gente só indica compra de ações desse setor visando o médio e longo prazos. Nossas preferências estão pela Suzano e Klabin dentro do setor”, aponta Luiz Otávio Broad, analista da Ágora Corretora.
A recomendação de compra para as duas companhias se dá por motivos bastante distintos. “A Suzano tem uma ótima gestão e excelentes planos de crescimento futuro. E a Klabin inaugurou recentemente uma nova máquina de cartões revestidos e, quando a economia voltar a crescer, ela conseguirá colocar toda essa nova capacidade no mercado, o que deve fazer com que seus resultados tenham uma boa recuperação”, afirma Broad.
Contrária à posição de Luiz Broad e Saravalle, Catarina Pedrosa, da Banif Corretora, é categórica: “Hoje, eu não recomendaria nenhuma das duas. Na Suzano, você vê claramente alguma recuperação de celulose, porém como o papel é vendido principalmente no mercado interno, ali não tem nada. A empresa deu perspectiva de aumento de preço em abril na Ásia, mas não em outros continentes. Já a Klabin é produtora de embalagens e vende, sobretudo, no mercado interno, que ainda mostra fraqueza”.
Marco Saravalle discorda: “As margens operacionais da Suzano deverão apresentar recuperação já no próximo trimestre, devendo seguir uma trajetória ascendente ao longo do ano. Mesmo trabalhando com um cenário bastante conservador para preços de produtos vendidos, ganhos de produtividade e redução de preços de insumos deverão contribuir para a melhoria da rentabilidade nos trimestres vindouros”. O profissional revela ainda um outro motivo para a compra de ações dessa companhia: “a situação econômico-financeira mais confortável em relação a seus pares listados em bolsa”.
Embora com menos empolgação, ele também acredita no crescimento da Klabin. “A Klabin deverá manter postura austera, com uma rígida disciplina financeira, focando em preservação do caixa e liquidez. Nos próximos dois ou três anos, a empresa concentrará seus esforços na redução de seu endividamento líquido e no aumento da geração de caixa. Para o longo prazo, a companhia continua focada em crescimento, indicando que poderá ter um novo ciclo de expansão a partir de 2015. Recomendamos a compra das ações da Klabin para investidores com perfil de longo prazo, sugerindo acompanhamento dos indicadores setoriais com minúcia neste período de indefinição da tendência do mercado de papel e celulose”, finaliza.
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1T09 |
4T08 |
1T08 |
|
Klabin |
|||
|
Receita bruta |
863.482 |
959.446 |
886.406 |
|
Receita líquida |
721.774 |
805.729 |
740.354 |
|
Lucro líquido |
28.944 |
(314.169) |
68.923 |
|
Ebtida |
179.958 |
241.910 |
190.458 |
|
|
|||
Suzano |
|||
|
Receita bruta |
1.059.604 |
1.251.244 |
1.100.431 |
|
Receita líquida |
942.880 |
1.100.358 |
969.678 |
|
Lucro líquido |
89.780 |
(494.527) |
124.305 |
|
Ebtida |
316.000 |
382.000 |
343.000 |
Fonte: Balanços das empresas no 1T09
SUZB5 – Suzano Papel PNA |
03/2009 |
|
Preço/Lucro |
-9,74 |
|
Preço/Valor Patr. |
1,25 |
|
Price Sales Ratio (PSR) |
1,18 |
|
Dividend Yield |
0,0% |
|
EV/Ebit |
10,62 |
|
Roic |
9,1% |
|
Divida/Patrimônio |
1,95 |
SUZB6 – Suzano Papel PNB |
03/2009 |
|
Preço/Lucro |
-14,75 |
|
Preço/Valor Patr. |
1,89 |
|
Price Sales Ratio (PSR) |
1,79 |
|
Dividend Yield |
0,0% |
|
EV/Ebit |
13,20 |
|
Roic |
9,1% |
|
Dívida/Patrimônio |
1,95 |
KLBN3 – Klabin S/A ON N1 |
03/2009 |
|
Preço/Lucro |
-11,56 |
|
Preço/Valor Patr. |
2,02 |
|
Price Sales Ratio (PSR) |
1,49 |
|
Dividend Yield |
2,4% |
|
EV/Ebit |
31,65 |
|
Roic |
4,2% |
|
Dívida/Patrimônio |
2,36 |
KLB4 – Klabin S/A PN N1 |
03/2009 |
|
Preço/Lucro |
-7,47 |
|
Preço/Valor Patr. |
1,30 |
|
Price Sales Ratio (PSR) |
0,96 |
|
Dividend Yield |
4,1% |
|
EV/Ebit |
25,49 |
|
Roic |
4,2% |
|
Dívida/Patrimônio |
2,36 |
Fonte: www.fundamentus.com.br
Autor(a): Larissa Moutinho
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