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02/09/2010

Yes, nós temos multinacionais

Os prós e contras do rápido surgimento das multinacionais brasileiras

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Yes, nós temos multinacionais
Os prós e contras do rápido surgimento das multinacionais brasileiras
Por Brasílio Andrade Neto
De uns tempos para cá, é difícil abrir um jornal sem ver a notícia de uma empresa brasileira comprando uma estrangeira, associando-se com líderes de mercado ou abrindo filiais em outros países. 
E vendemos cada vez mais lá fora. No primeiro semestre de 2010, a participação de companhias brasileiras no mercado externo bateu o recorde. Foram gerados US$12 bilhões em negócios, o maior valor desde que o Banco Central começou a medir o desempenho de nossas empresas no estrangeiro a cada semestre, em 1968.
Existem analistas que são categóricos ao afirmar que as empresa brasileiras estão realizando agora é o que as asiáticas fizeram nas décadas de 70 e 80. 
Conversas sobre fusões e compras de empresas agitam a Bovespa, fazendo a alegria de um tipo de investidor. Mas o que realmente significa a internacionalização de nossas companhias? 
O dinheiro tem outro caminho – As empresas brasileiras estão aproveitando um momento único no mundo: o crescimento do comércio entre países em desenvolvimento. O caso da Embraer (EMBR3) é emblemático: um terço de suas ordens de compra vem de países em desenvolvimento, contra apenas 1% em 2005. O grosso do mercado, assim, deslocou-se para a África, Índia, China e Rússia. E, como as empresas brasileiras cresceram em uma economia subdesenvolvida, elas entendem os parceiros em igual situação nesses mercados, criando uma vantagem competitiva. O cliente em desenvolvimento pensa, mesmo inconscientemente: “O vendedor dos Estados Unidos não entende minha situação, o do Brasil sim”. Esta é a análise do economista-chefe do HSBC, Stephen King (não, não é o escritor): “Existe agora um tráfego de comércio enorme entre mercados emergentes. Isso faz com que esses países se protejam uns aos outros, enquanto a economia dos desenvolvidos soluça”. 
O crescimento do mercado entre países em desenvolvimento foi de 18% ao ano, entre 2000 e 2008, maior que o registrado entre países emergentes e nações desenvolvidas, segundo dados da Organização Mundial do Comércio. 
De fato, há uma corrida não declarada entre Índia e Brasil para conquistar o consumidor africano. Enquanto a megaempresa indiana Tata foi uma das maiores investidoras no continente africano de 2004 a 2009, a Vale (VALE5) aplica em minas no Congo, Guiné e Zâmbia. 
Chegando agora no mercado – Enquanto países como o Brasil e a China se apoiam em entidades governamentais para expandir seus negócios, existem países que buscam outras soluções. Veja a Espanha, por exemplo. Como, de repente, surgiram tantos bancos espanhóis entre os maiores do mundo (Santander, BBVA, Banesto)? Simplesmente, algumas décadas atrás, os donos desses bancos perceberam que, se não tomassem cuidado, os do restante da Europa iriam engolir seu mercado. Então, partiram para a ofensiva se apoiando uns aos outros nas expansões internacionais, trocando experiências, compartilhando dados, não competindo entre si em aquisições, etc. Hoje, já estabelecido, o acordo de cavalheiros acabou e eles se matam pelo mercado espanhol e mundial, mas fincaram suas bandeiras pelo mundo. 
No Brasil, há um início desse movimento de “co-opetição” com a criação, pelas maiores universidades de São Paulo, do projeto Globalização e Internacionalização das Empresas Brasileiras (Ginebra – http://www.pro.poli.usp.br/ginebra). Mas, por enquanto, o dinheiro fácil ainda flui do BNDES. Provavelmente, a situação irá mudar com o próximo presidente, seja quem for. É bom se preparar para um cenário bem diferente do atual.
Para alguns, balde de água fria – O BNDES já desembolsou com a JBS (JBSS3) e a Marfrig (MRFG3) 18,5 bilhões de reais – 8,5 em empréstimos e 10 em aquisição de participação acionária. A tática de engorda começa a estimular os investidores para um setor que tradicionalmente exibe margens magras de lucro. O próprio diretor de RI da JBS, Jerry O’Callagham, afirmou que, para ter lucro, é necessário focar outros fatores: “A distribuição é a chave de nosso negócio. Criar uma rede distribuidora global forte é o principal objetivo”. 
Ao mesmo tempo, o dinheiro federal não chega a todos. Empresas pequenas e regionais, justamente aquelas que têm dificuldades em fechar as contas todos os meses, reclamam. Mesmo frigoríficos maiores, como o Minerva (BEEF3), batem à porta do BNDES sem sucesso. Aparentemente, ao governo interessa criar as multinacionais brasileiras, competindo lá fora. Não interessa tanto dar origem a várias delas em cada setor, disputando oportunidades. É preferível ter uma empresa gigantesca a duas grandes. 
Balança comercial – Entretanto, para atender todos esses clientes é necessário dinheiro, o que já começa a afetar nossas contas externas. Tudo o que é emprestado de fora é considerado despesa pelo Banco Central. Assim, o Brasil já não é mais credor graças aos empréstimos que as empresas privadas tomam no exterior. É até de se esperar que as companhias prefiram pegar dinheiro lá fora: por aqui, descontando o BNDES, não há ninguém emprestando em condições camaradas. Ao buscar as instituições financeiras dos Estados Unidos e da Europa, além de encontrarem mais opções, as empresas nacionais não são penalizadas com taxas de juros de 9% ou 10%. Se incluirmos nesse número os empréstimos intercompanhias, ou seja, aqueles que as filiais brasileiras de organizações estrangeiras pegam junto a suas matrizes, o número fica ainda pior, chegando a US$305 bilhões em junho de 2010. Mesmo contando apenas com o que as empresas nacionais emprestam lá fora, no primeiro semestre deste ano houve um aumento de 13,6% em relação ao mesmo período de 2009. 
Veja os planos de algumas das principais empresas multinacionais brasileiras para os próximos anos e decida em quem pretende investir:
• Embraer – Ela está prestes a ultrapassar a Bombardier e assumir o posto de terceira maior fabricante de aeronaves do mundo. Para isso, basta que as 139 cartas de intenções assinadas durante a maior feira da área se transformem em pedidos. A empresa também espera ter um grande sucesso com seu transporte militar (veja a matéria Em Ação nesta mesma edição).
• WEG (WEGE4) – Uma das principais fábricas de compressores e motores elétricos do mundo, possui 35% de seu faturamento vindo do exterior. Construiu recentemente uma unidade própria na Índia, que deve começar a operar em 2011, quando planeja retomar o crescimento de 20% ao ano de antes da crise. A empresa conta com a simpatia e um empréstimo de 25 milhões de dólares do IFC, uma subsidiária do Banco Mundial. Harry Schmelzer Jr., presidente da companhia, comemora: “Esse investimento é um grande passo na direção da estratégia internacional da WEG. A nova indústria em Hosur, Índia, irá melhorar a capacidade de distribuição internacional e também nossa produção em mercados selecionados. Isso irá cimentar nossa posição como uma das maiores players no segmento mundial de produtos elétricos industriais”.
• BM&FBovespa (BVMF3) – Em fevereiro deste ano, houve aumento da participação dela na bolsa de mercadorias de Chicago, uma das maiores do mundo, de 1,8% para 5%.
• Braskem (BRKM3 e BRKM5) – Em fevereiro, comprou a quarta maior produtora de prolipropileno dos Estados Unidos. No mês de agosto, começou a produzir seu grande trunfo frente à concorrência: o plástico verde, que não é feito à base de petróleo, sendo, portanto, mais ecológico (apenas um pouco mais, pois demora os mesmos séculos do plástico comum para se decompor). Há interessados de todo o mundo no produto. Também nesse mês a companhia iniciou a construção de um enorme polo petroquímico na Venezuela, um investimento de 1,755 bilhão de dólares. Para isso, lançou um bônus com vencimento para 2020 na bolsa de Nova Iorque, levantando 450 milhões de dólares.
• Gerdau (GGBR4) – Animada com o lucro de mais de 800 milhões de reais no segundo trimestre de 2010, a companhia volta a investir pesado. Seu diretor-presidente, André Gerdau Johannpeter, afirmou que a empresa revisou sua estimativa de investimento para os próximos anos. Em vez de 9,5 bilhões de dólares até 2014, serão aplicados agora 11 bilhões, sendo 80% disso no Brasil para atender à demanda local. O investimento inclui áreas de mineração em Minas Gerais e a aquisição de novos equipamentos, além da construção de uma fábrica de laminação em rolo, inédita em território nacional. O local ainda não está definido. A Gerdau vai continuar a atender ao mercado externo, mas não planeja comprar grandes empresas lá fora até o fim de 2014. 
• Marcopolo (POMO4) – Depois de motorizar toda a Copa do Mundo da África do Sul, a empresa brasileira pretende reforçar sua presença naquele continente e uma fábrica em Angola está no horizonte. “Num primeiro momento, vamos trazer os nossos produtos, a nossa tecnologia, para depois pensarmos em instalar uma fábrica. A Marcopolo tem várias em diversos países”, diz Rodrigo Pikussa, responsável pelo mercado exterior da Marcopolo, a autoridades do país africano. “Sabemos que muitos importadores não têm o cuidado de prestigiar a marca que vendem, agora nós vamos vender, prestar assistência técnica e fornecer profissionais para acompanhar os operadores para as máquinas”, afirma. Não que a Marcopolo precise de espaço: ela está construindo em Dharwad, na Índia, a maior fábrica de ônibus do mundo, com capacidade para produzir 25 mil veículos por ano. Curiosidade: a empresa chegou a desenvolver um ônibus conversível para atender os fiéis em peregrinação à Meca. Como naquela região sagrada o peregrino não pode ter nada entre sua cabeça e Deus, os ônibus não poderiam possuir teto. 
• Petrobras (PETR3 e PETR4) – Falar da Petrobras é covardia. Não vamos entrar no mérito de que, em uma coincidência incrível, toda notícia ruim sobre a empresa é seguida imediatamente pelo anúncio da descoberta de uma nova jazida de petróleo. Basta dizer que, de 2000 para cá, as ações da companhia renderam 523%. Além das descobertas do pré-sal e das inúmeras atividades no exterior, a empresa petrolífera brasileira pode se beneficiar da instabilidade de alguns países sul-americanos. O governo do Paraguai, por exemplo, não está satisfeito com a parceria com a venezuelana PDVSA e pensa em substituir a empresa pela Petrobras. O projeto incluiria um poliduto ligando o Paraguai ao porto de Paranaguá, no Paraná. Por ali, seria enviado petróleo ao país vizinho e, no futuro, viria biodiesel paraguaio para ser exportado pelo Brasil. Ainda nas vizinhanças, a Petrobras irá investir 2,4 bilhões de dólares na Argentina até 2012, por meio de sua subsidiária, a Petrobras Energia.
Com esses investimentos, a internacionalização das empresas brasileiras não irá parar tão cedo. Na hora de escolher seus investimentos, é melhor começar a olhar também o caderno internacional dos jornais. 
 
Em 2006, o Brasil foi o segundo maior investidor externo entre os países em desenvolvimento, só perdendo para Hong Kong. Os números são da Universidade de Columbia, EUA, e da Fundação Dom Cabral. 
Empresas brasileiras com maior índice de transnacionalidade, ou seja, o porcentual de negócios de cada companhia no exterior baseado na média de ativos, número de funcionários e vendas brutas:

De uns tempos para cá, é difícil abrir um jornal sem ver a notícia de uma empresa brasileira comprando uma estrangeira, associando-se com líderes de mercado ou abrindo filiais em outros países. 

E vendemos cada vez mais lá fora. No primeiro semestre de 2010, a participação de companhias brasileiras no mercado externo bateu o recorde. Foram gerados US$12 bilhões em negócios, o maior valor desde que o Banco Central começou a medir o desempenho de nossas empresas no estrangeiro a cada semestre, em 1968.

Existem analistas que são categóricos ao afirmar que as empresa brasileiras estão realizando agora é o que as asiáticas fizeram nas décadas de 70 e 80. 

Conversas sobre fusões e compras de empresas agitam a Bovespa, fazendo a alegria de um tipo de investidor. Mas o que realmente significa a internacionalização de nossas companhias? 

 

O dinheiro tem outro caminho – As empresas brasileiras estão aproveitando um momento único no mundo: o crescimento do comércio entre países em desenvolvimento. O caso da Embraer (EMBR3) é emblemático: um terço de suas ordens de compra vem de países em desenvolvimento, contra apenas 1% em 2005. O grosso do mercado, assim, deslocou-se para a África, Índia, China e Rússia. E, como as empresas brasileiras cresceram em uma economia subdesenvolvida, elas entendem os parceiros em igual situação nesses mercados, criando uma vantagem competitiva. O cliente em desenvolvimento pensa, mesmo inconscientemente: “O vendedor dos Estados Unidos não entende minha situação, o do Brasil sim”. Esta é a análise do economista-chefe do HSBC, Stephen King (não, não é o escritor): “Existe agora um tráfego de comércio enorme entre mercados emergentes. Isso faz com que esses países se protejam uns aos outros, enquanto a economia dos desenvolvidos soluça”. 

 

O crescimento do mercado entre países em desenvolvimento foi de 18% ao ano, entre 2000 e 2008, maior que o registrado entre países emergentes e nações desenvolvidas, segundo dados da Organização Mundial do Comércio. 

 

De fato, há uma corrida não declarada entre Índia e Brasil para conquistar o consumidor africano. Enquanto a megaempresa indiana Tata foi uma das maiores investidoras no continente africano de 2004 a 2009, a Vale (VALE5) aplica em minas no Congo, Guiné e Zâmbia. 

 

Chegando agora no mercado – Enquanto países como o Brasil e a China se apoiam em entidades governamentais para expandir seus negócios, existem países que buscam outras soluções. Veja a Espanha, por exemplo. Como, de repente, surgiram tantos bancos espanhóis entre os maiores do mundo (Santander, BBVA, Banesto)? Simplesmente, algumas décadas atrás, os donos desses bancos perceberam que, se não tomassem cuidado, os do restante da Europa iriam engolir seu mercado. Então, partiram para a ofensiva se apoiando uns aos outros nas expansões internacionais, trocando experiências, compartilhando dados, não competindo entre si em aquisições, etc. Hoje, já estabelecido, o acordo de cavalheiros acabou e eles se matam pelo mercado espanhol e mundial, mas fincaram suas bandeiras pelo mundo. 

No Brasil, há um início desse movimento de “co-opetição” com a criação, pelas maiores universidades de São Paulo, do projeto Globalização e Internacionalização das Empresas Brasileiras (Ginebra – http://www.pro.poli.usp.br/ginebra). Mas, por enquanto, o dinheiro fácil ainda flui do BNDES. Provavelmente, a situação irá mudar com o próximo presidente, seja quem for. É bom se preparar para um cenário bem diferente do atual.

 

Para alguns, balde de água fria – O BNDES já desembolsou com a JBS (JBSS3) e a Marfrig (MRFG3) 18,5 bilhões de reais – 8,5 em empréstimos e 10 em aquisição de participação acionária. A tática de engorda começa a estimular os investidores para um setor que tradicionalmente exibe margens magras de lucro. O próprio diretor de RI da JBS, Jerry O’Callagham, afirmou que, para ter lucro, é necessário focar outros fatores: “A distribuição é a chave de nosso negócio. Criar uma rede distribuidora global forte é o principal objetivo”. 

Ao mesmo tempo, o dinheiro federal não chega a todos. Empresas pequenas e regionais, justamente aquelas que têm dificuldades em fechar as contas todos os meses, reclamam. Mesmo frigoríficos maiores, como o Minerva (BEEF3), batem à porta do BNDES sem sucesso. Aparentemente, ao governo interessa criar as multinacionais brasileiras, competindo lá fora. Não interessa tanto dar origem a várias delas em cada setor, disputando oportunidades. É preferível ter uma empresa gigantesca a duas grandes. 

 

Balança comercial – Entretanto, para atender todos esses clientes é necessário dinheiro, o que já começa a afetar nossas contas externas. Tudo o que é emprestado de fora é considerado despesa pelo Banco Central. Assim, o Brasil já não é mais credor graças aos empréstimos que as empresas privadas tomam no exterior. É até de se esperar que as companhias prefiram pegar dinheiro lá fora: por aqui, descontando o BNDES, não há ninguém emprestando em condições camaradas. Ao buscar as instituições financeiras dos Estados Unidos e da Europa, além de encontrarem mais opções, as empresas nacionais não são penalizadas com taxas de juros de 9% ou 10%. Se incluirmos nesse número os empréstimos intercompanhias, ou seja, aqueles que as filiais brasileiras de organizações estrangeiras pegam junto a suas matrizes, o número fica ainda pior, chegando a US$305 bilhões em junho de 2010. Mesmo contando apenas com o que as empresas nacionais emprestam lá fora, no primeiro semestre deste ano houve um aumento de 13,6% em relação ao mesmo período de 2009. 

Veja os planos de algumas das principais empresas multinacionais brasileiras para os próximos anos e decida em quem pretende investir:

 

• Embraer – Ela está prestes a ultrapassar a Bombardier e assumir o posto de terceira maior fabricante de aeronaves do mundo. Para isso, basta que as 139 cartas de intenções assinadas durante a maior feira da área se transformem em pedidos. A empresa também espera ter um grande sucesso com seu transporte militar (veja a matéria Em Ação nesta mesma edição).

• WEG (WEGE4) – Uma das principais fábricas de compressores e motores elétricos do mundo, possui 35% de seu faturamento vindo do exterior. Construiu recentemente uma unidade própria na Índia, que deve começar a operar em 2011, quando planeja retomar o crescimento de 20% ao ano de antes da crise. A empresa conta com a simpatia e um empréstimo de 25 milhões de dólares do IFC, uma subsidiária do Banco Mundial. Harry Schmelzer Jr., presidente da companhia, comemora: “Esse investimento é um grande passo na direção da estratégia internacional da WEG. A nova indústria em Hosur, Índia, irá melhorar a capacidade de distribuição internacional e também nossa produção em mercados selecionados. Isso irá cimentar nossa posição como uma das maiores players no segmento mundial de produtos elétricos industriais”.

• BM&FBovespa (BVMF3) – Em fevereiro deste ano, houve aumento da participação dela na bolsa de mercadorias de Chicago, uma das maiores do mundo, de 1,8% para 5%.

• Braskem (BRKM3 e BRKM5) – Em fevereiro, comprou a quarta maior produtora de prolipropileno dos Estados Unidos. No mês de agosto, começou a produzir seu grande trunfo frente à concorrência: o plástico verde, que não é feito à base de petróleo, sendo, portanto, mais ecológico (apenas um pouco mais, pois demora os mesmos séculos do plástico comum para se decompor). Há interessados de todo o mundo no produto. Também nesse mês a companhia iniciou a construção de um enorme polo petroquímico na Venezuela, um investimento de 1,755 bilhão de dólares. Para isso, lançou um bônus com vencimento para 2020 na bolsa de Nova Iorque, levantando 450 milhões de dólares.

• Gerdau (GGBR4) – Animada com o lucro de mais de 800 milhões de reais no segundo trimestre de 2010, a companhia volta a investir pesado. Seu diretor-presidente, André Gerdau Johannpeter, afirmou que a empresa revisou sua estimativa de investimento para os próximos anos. Em vez de 9,5 bilhões de dólares até 2014, serão aplicados agora 11 bilhões, sendo 80% disso no Brasil para atender à demanda local. O investimento inclui áreas de mineração em Minas Gerais e a aquisição de novos equipamentos, além da construção de uma fábrica de laminação em rolo, inédita em território nacional. O local ainda não está definido. A Gerdau vai continuar a atender ao mercado externo, mas não planeja comprar grandes empresas lá fora até o fim de 2014. 

• Marcopolo (POMO4) – Depois de motorizar toda a Copa do Mundo da África do Sul, a empresa brasileira pretende reforçar sua presença naquele continente e uma fábrica em Angola está no horizonte. “Num primeiro momento, vamos trazer os nossos produtos, a nossa tecnologia, para depois pensarmos em instalar uma fábrica. A Marcopolo tem várias em diversos países”, diz Rodrigo Pikussa, responsável pelo mercado exterior da Marcopolo, a autoridades do país africano. “Sabemos que muitos importadores não têm o cuidado de prestigiar a marca que vendem, agora nós vamos vender, prestar assistência técnica e fornecer profissionais para acompanhar os operadores para as máquinas”, afirma. Não que a Marcopolo precise de espaço: ela está construindo em Dharwad, na Índia, a maior fábrica de ônibus do mundo, com capacidade para produzir 25 mil veículos por ano. Curiosidade: a empresa chegou a desenvolver um ônibus conversível para atender os fiéis em peregrinação à Meca. Como naquela região sagrada o peregrino não pode ter nada entre sua cabeça e Deus, os ônibus não poderiam possuir teto. 

• Petrobras (PETR3 e PETR4) – Falar da Petrobras é covardia. Não vamos entrar no mérito de que, em uma coincidência incrível, toda notícia ruim sobre a empresa é seguida imediatamente pelo anúncio da descoberta de uma nova jazida de petróleo. Basta dizer que, de 2000 para cá, as ações da companhia renderam 523%. Além das descobertas do pré-sal e das inúmeras atividades no exterior, a empresa petrolífera brasileira pode se beneficiar da instabilidade de alguns países sul-americanos. O governo do Paraguai, por exemplo, não está satisfeito com a parceria com a venezuelana PDVSA e pensa em substituir a empresa pela Petrobras. O projeto incluiria um poliduto ligando o Paraguai ao porto de Paranaguá, no Paraná. Por ali, seria enviado petróleo ao país vizinho e, no futuro, viria biodiesel paraguaio para ser exportado pelo Brasil. Ainda nas vizinhanças, a Petrobras irá investir 2,4 bilhões de dólares na Argentina até 2012, por meio de sua subsidiária, a Petrobras Energia.

Com esses investimentos, a internacionalização das empresas brasileiras não irá parar tão cedo. Na hora de escolher seus investimentos, é melhor começar a olhar também o caderno internacional dos jornais. 

 

 

Em 2006, o Brasil foi o segundo maior investidor externo entre os países em desenvolvimento, só perdendo para Hong Kong. Os números são da Universidade de Columbia, EUA, e da Fundação Dom Cabral. 

 

Empresas brasileiras com maior índice de transnacionalidade, ou seja, o porcentual de negócios de cada companhia no exterior baseado na média de ativos, número de funcionários e vendas brutas:

1.   Gerdau

57%

2.   Sabó

40,8%

3.   Marfrig

40,7%

4.   Vale

38,5%

5.   Metalfrio

37,8%

6.   Odebrecht

35,7%

7.   Aracruz

30,2%

8.   Tigre

29,6%

9.   Artecola

28,9%

10. Suzano Papel e Celulose

25,7%

 


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